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Celso Sacavém

Os meus pensamentos

Os meus pensamentos

Fados

 

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        Apresentação de Maria (1534-38)    (1)                  Autoretrato de Ticiano (1567) 

 

 

 

 

 

                                              Numa igreja pequenina

                                              aos pés da Virgem Maria

                                              uma velhinha rezava.

                                              E dedicava à divina

                                              do rosário que pendia,

                                              as contas que desfiava.

 

 

                                              E depois de ter rezado

                                              no chão o terço pousou

                                              e num gesto sofredor.

                                              Beijou o manto dourado

                                              e em seguida perguntou

                                              à Mãe do Nosso Senhor:

 

 

                                              que é do meu filho, Senhora,

                                              que partiu sem me beijar

                                              para a terra de ninguém…

                                              Eu sei que sou pecadora

                                              a quem Tu vais perdoar

                                              porque também foste mãe.

 

 

                                              A Virgem do seu altar

                                              ouviu a prece daquela

                                              que sofria amargo travo.

                                              E não queria falar

                                              nem dizer que o filho dela

                                              perecera como um bravo.  

 

 

                                              Ao ver tanto sofrimento

                                              a Virgem Mãe teve do

                                              desse coração aflito.

                                              E olhando o firmamento

                                              a seus pés, desfeita em pó,

                                              foi tombar, sem lh´o ter dito.

 

 

                                                                                        Lisboa 17/12/50

 

 

 

 

         Celso Sacavém       celsosacavem.blogs.sapo.pt        @celso.pereira.525

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                           Retábulo Escala (1437)    (3)              Um típico rosário católico   (4)

 

 

 

 

 

 

1 - Apresentação de Maria (1534-38)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vida_da_Virgem#/media/File:Presentation_titian.JPG

"Apresentação de Maria", uma obra de Ticiano na Galeria dell'Accademia, em Veneza.

Criação: cerca de 1534 a 1538.

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Apresenta%C3%A7%C3%A3o_de_Nossa_Senhora

Apresentação de Nossa Senhora

 

A Apresentação da Virgem Maria (no ocidente) ou A Entrada da Mais Sagrada Thetokos no Templo (no oriente) são nomes de uma festa litúrgica celebrada pela Igreja Católica, inclusive as de tradição oriental, e pela Igreja Ortodoxa.

 

 

 

2 - Autoretrato de Ticiano (1567)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ticiano#/media/File:Tizian_090.jpg

Ticiano, Autorretrato (1567). Criação: entre 1565 e 1570.

No Museo Nacional do Prado online:

https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/selfportrait/abc62514-eb24-4c67-9843-8a8505fe1b61

 

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ticiano

Ticiano

 

 

Movimento estético   Renascimento

 

Ticiano Vecellio ou Vecelli (em italiano: Tiziano Vecellio; Pieve di Cadore, ca. 1473/1490 — Veneza, 27 de agosto de 1576) foi um dos principais representantes da escola veneziana no Renascimento antecipando diversas características do Barroco e até do Modernismo. Ele também é conhecido como Tizian Vecellio De Gregorio, Tiziano, Titian ou ainda como Titien.

Reconhecido pelos seus contemporâneos como "o sol entre as estrelas", Ticiano foi um dos mais versáteis pintores italianos, igualmente bom em retratos ou paisagens, temas mitológicos ou religiosos.

Se tivesse morrido cedo, teria sido conhecido como um dos mais influentes artistas do seu tempo, mas como viveu quase um século, mudando tão drasticamente seu modo de pintar, vários críticos demoram a acreditar se tratar do mesmo artista. O que une as duas partes de sua obra é seu profundo interesse pela cor, sua modulação policromática é sem precedentes na arte ocidental.

 

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vida_da_Virgem

Vida da Virgem

 

A Vida da Virgem é o nome dado a um tema bastante comum na arte cristã, principalmente em grandes ciclos composto por várias cenas contando a vida de Maria, a mãe de Jesus, chamada de Virgem Maria. Ele aparece geralmente como complemento aos ciclos da Vida de Cristo. Em ambos, o número de cenas varia enormemente de acordo com o espaço disponível para o artista. As obras aparecem nos mais diversos meios: afrescos em paredes de igrejas e séries de pinturas pelos grandes mestres são os mais completos, mas são importantes as versões em painéis, vitrais, manuscritos iluminados, esculturas em pedra e entalhes em marfim.

 

História

A representação das cenas da Vida da Virgem remonta aos primeiros anos da arte cristã; uma cena na igreja de Dura Europos, de por volta de 250, tem sido interpretada como uma procissão de virgens acompanhando Maria até o Templo. Os primeiros ciclos tendiam a incluir mais cenas e detalhes obtidos nos evangelhos apócrifos, incluindo a história dos pais de Maria, São Joaquim e Santa Ana, antes de seu nascimento. A influência destas histórias jamais desapareceu completamente, em parte por que os evangelhos canônicos dão poucos detalhes sobre a vida de Maria antes e depois dos anos próximos ao nascimento de Jesus. No ocidente, o Evangelho de Pseudo-Mateus era a principal fonte; versões um pouco diferentes, todas igualmente derivadas do Protoevangelho de Tiago, eram as preferidas no oriente. 

Ciclos com a Vida de Maria eram menos frequentes no ocidente do que no oriente até o período gótico. O ciclo do Nascimento no tímpano da porta direita da Catedral de Chartres é o mais antigo ciclo monumental ocidental a aparecer sob uma grande "Virgem Entronada com o Menino". Estes ciclos continuaram a aparecer em posições proeminentes, gradualmente ficando menos comuns que as cenas da Paixão de Cristo. A evolução durante o século XIII dos livros de horas iluminados providenciou outro meio para a representação dos ciclos, assim como o gradual desenvolvimento de peças de altar mais sofisticadas para a Capela da Senhora ou, pelo menos, para um altar lateral, que todas as grandes igrejas tinham.

Com a chegada dos mestres da gravura, séries sobre a "Vida" eram populares e estavam geralmente entre os mais ambiciosos trabalhos dos artistas. A "Morte da Virgem" de Martin Schongauer foi uma de suas obras mais influentes, adaptada para a pintura por uma série de artistas na Alemanha e em outros países. Schongauer aparentemente planejou uma grande série, mas apenas quatro cenas foram produzidas (entre 1470 e 1475). A série de 12 cenas de Israhel van Meckenem (ca. 1490-1500) e a de Francesco Rosselli, que se inspirou nos Mistérios do Rosário, foram os dois exemplos mais importantes do século XV. Dürer eclipsou em grande medida a partir do início do século XVI com seu ciclo, sendo que a sua "Morte da Virgem" (1510), seguia essencialmente a composição de Schongauer.

Com o declínio dos manuscritos iluminados e o advento de grandes pinturas e a pintura de altares de tema único, os ciclos perderam importância na arte, com exceção da arte impressa, mas os ciclos pintados de maneira nenhuma desapareceram por completo. Um ciclo com 16 grandes pinturas de Luca Giordano de por volta de 1688 decorava o quarto da rainha da Espanha em Madrid no século XVIII e muitos ciclos foram pintados para catedrais e outros grandes edifícios. Após os decretos do Concílio de Trento, em 1563, muitas das cenas apócrifas e outras invenções do período medieval tardio (como o Desmaio da Virgem), foram atacados por escritores como Molanus e o cardeal Federigo Borromeo.

 

 

 

 

3 - Retábulo Escala (1437)

https://commons.wikimedia.org/wiki/Life_of_Mary?uselang=pt#/media/File:Antigo-MarededeuEscala-2552sh.jpg

Obra de Joan Antigó, uma peça gótica do Mosteiro de San Esteban de Bañolas (1437)

Fotografia de Amadalvarez - 2010

 

 

 

https://es.wikipedia.org/wiki/Joan_Antig%C3%B3

Joan Antigó

  

Joan Antigó, também conhecido como maestro de Bañolas, foi um pintor ativo em Catalunha na primeira metade do séc. XV. Provavelmente era estrangeiro e as suas obras são marcadas pelo carácter italiano.

 

 

 

 

 

4 - Um típico rosário católico

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Rosary&uselang=pt#/media/File:Rosary.jpg

Um típico rosário católico - 2008

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ros%C3%A1rio

Santo Rosário

 

O Santo Rosário é uma prática religiosa de devoção mariana muito difundida entre os católicos romanos, que o rezam tanto pública quanto individualmente. Consiste na recitação seriada de orações com o auxílio de uma corrente com contas ou nós, que recebe o mesmo nome. O rosário também compreende a contemplação de determinadas passagens da vida de Jesus e de sua mãe Maria que, segundo a doutrina da Igreja Católica, são de especial relevância para a história da salvação e que recebem o nome de "mistérios". 

O rosário é tradicionalmente dividido em três partes iguais, com cinquenta contas cada e que, por corresponderem à terça parte, foram chamadas terço. Cada terço compreende um conjunto especial de cinco mistérios: os gozosos, os dolorosos ou os gloriosos. O papa João Paulo II, por meio da carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 16 de outubro de 2002, sugeriu uma nova série de mistérios, os chamados mistérios luminosos. Essa nova série de mistérios disponíveis para contemplação não alterou o formato do Rosário, que continua sendo de 150 Ave Marias, ou três Terços de 50 Ave Marias com os 3 mistérios: Gozosos, Dolorosos e Gloriosos.

 

Origem

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como "Saltério" dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai-Nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave-Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

Segundo uma tradição, a Igreja católica recebeu o Rosário em sua forma atual com 150 Ave-Marias para meditar a vida (gozosos), paixão (dolorosos) e glória (gloriosos) de Jesus e Maria, mas ainda não estabelecido a divisão dos mistérios, em 1206 quando a Virgem Maria apareceu a São Domingos Gusmão e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo, acompanhado de incríveis e milagrosos episódios. O simbolismo das 150 Ave-Marias e dos três mistérios é evidente.

(...) A palavra Rosário significa 'Coroa de Rosas'. É uma antiga devoção católica que a Virgem Maria revelou que cada vez que se reza uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário de todas as devoções é, portanto, tido como sendo a mais importante. 

Em quase todas as Suas Aparições, Maria Santíssima exibiu e estimulou a devoção do Rosário; numa delas chegou mesmo a oferecê-lo a uma jovem leiteira (Aparições de Argoncilhe,Portugal)

 

 

Os mistérios do rosário

O Rosário da Virgem Maria é composto por três mistérios com 150 Ave-Marias para meditar a vida (gozosos), morte (dolorosos) e glória (gloriosos) de Jesus Cristo e de Maria. Deve ser rezado na ordem Gozosos -> Dolorosos -> Gloriosos. 

 

Forma de rezar o Santo Rosário de Nossa Senhora

O terço (no sentido de objeto usado para contar as orações) é formado por contas grandes e pequenas. Após cada dezena de contas pequenas, há uma grande, e assim, cinco dezenas. O fio no qual ficam as contas dá uma volta, ficando a quinta junto à primeira dezena, preparando para iniciar um novo terço. Antes da contemplação dos mistérios, há uma parte inicial constituído por duas contas grandes, três pequenas e um crucifixo. Existem algumas variações nas formas de se rezar o terço, de acordo com as devoções religiosas, mas em geral se faz da forma seguinte:

Segurando a cruz, se faz o "Sinal da Cruz" e reza-se o Credo.

Reza-se um Pai-Nosso e três Ave-Marias, seguido do Glória. Depois do Glória pode ser acrescentado algumas jaculatórias.

Nas contas grandes, começam-se os mistérios com o Pai-Nosso.

Nas contas pequenas, rezam-se as Ave-Marias.

Ao final de cada dezena reza-se o Glória

 

 

Erros comuns

São Luís Maria Grignion de Montfort coloca os 2 erros mais comuns dos que rezam o Santo Rosário ou parte dele: 

O primeiro erro é não formular nenhuma intenção (é necessário estar em estado de graça para formular intenção para outros), de sorte que se lhe perguntais porque estão rezando, não vos saberiam responder. Tende, pois, sempre em vista, ao rezar o Rosário, alguma graça a pedir, alguma virtude a imitar ou algum pecado a evitar.

O segundo erro que se comete frequentemente é não ter em vista, ao começar o Rosário, outra coisa senão acabá-lo o quanto antes.

São Luís diz que "É uma pena ver como a maior parte das pessoas rezam o Rosário. Rezam-no com uma precipitação espantosa, devoram até a maior parte das palavras. Não se cumprimentaria desse modo ridículo ao último dos homens, e no entanto se imagina que Jesus e Maria se sentem honrados com isso! ..."

 

 

 

Teatro

 

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                                                                          Paris Comedie-Francaise    (1)

 

 

 

 

 

 

BLASFÉMIA

 

 

 

 

A cena representa uma sala de estar, mobilada com certo gosto.

Nas paredes pendem retratos de Jesus Cristo e na mesa pode ver-se uma Bíblia.

Carlos está sentado num sofá, fumando cigarro após cigarro.

Clara está sentada, ao centro, com os braços estendidos por sobre uma mesinha. 

Eduarda está de pé, junto da filha, tentando acaricia-la.

Em cima da mesa estão diversos livros evangélicos.

 

 

 

D. Eduarda - Tem calma, minha filha…

 

Clara            - Tanta demora… Tanta demora…

 

D. Eduarda - Tem  paciência…     Serena   os  teus  nervos…     Estas   coisas    são

                      assim…  Precisam do seu tempo…

 

Clara            - Eu sei, mãe, eu sei… Mas esta espera mortifica-me!

 

D. Eduarda - Eu compreendo-te, querida…  Compreendo  a  tua  ânsia!    Passei por

                     transes  iguais  em  muitas  fases  da  tua  vida…    Tu  deste-me muitos

                     cuidados…    Para te criar  sofri  muitas  horas  de  amargura…   Foram

                     momentos dolorosos que me dilaceravam  a carne!...

 

Clara           - Mas   eu  não  posso  esperar…      Sinto    que   vou    perder    o   meu

                      filho!...       Sinto     que      deixarei      de      o     ter     de     novo     nos

                      meus  braços…   Apertando-me  o  pescoço…    Beijando-me   com   os

                      seus beijos quentes e meigos…     Sinto  que  o  vou   perder…     Sinto

                      que o vou perder…

 

D. Eduarda - Tem  esperança…   Tem  calma…   Tem  fé  em  Deus…   Muitas  vezes

                      eu não tinha mais nada do que a minha fé…

 

Clara            - É  o  que  me  resta  também…   Resta-me  a  fé  e  uma  dor aguda no

                       coração…

 

D. Eduarda - Tem calma…

 

Clara           - Tem  calma…   Como   se   eu   a   pudesse  ter, num  momento  como 

                       este, em  que   os  meus  sentidos  se  entrechocam  indecisos,  numa

                       ânsia  que  me fere e que me mata!...

 

D. Eduarda - A dor  que   te   fere   o   peito,  a  ânsia   que   te   faz  sofrer,  também

                     me aniquilam, crê !  O  amor  que  nutro por aquele inocentinho  é  igual

                     ao teu amor…  Mas eu entreguei-me à Divina Providência… Confio  em

                     Deus com toda  a  força  da  minha  alma…  Só  te  peço  resignação…

                     Resignação    e    confiança     ilimitada     na    vontade    do     Senhor!  

                     Preparemo-nos para o pior… E confiemos… Confiemos na intervenção

                     Divina…

 

Clara           - Eu não posso suportar a ideia de que o meu filhinho…

                      (Chora  compulsivamente)

 

D. Eduarda - (Chorando também)    Minha filha… Vamos…  Vamos pedir ao Senhor

                      para  que  ELE se digne iluminar o médico com a  misericórdia  da  Sua

                      Luz…  (Vão até aos livros).

 

Clara           - (Encanto caminha)    Que tormento…   Que tormento o meu!...  

 

D. Eduarda - É uma angústia que nos dilacera a alma…

 

Clara            - … E  nos  mortifica  a  carne!...   É  um  pesadelo  que  nos  absorve o

                       ser,  e     se    apodera    de    nós,  e    nos    agarra,  e    nos    mata...

                       (Ajoelhando-se)       Meu  Deus!      Salva  o   meu   filho   que   é   tão

                       pequenino…     Que   é   toda   a   minha   vida…        Salva-o, Senhor!

                       Dá-mo  para  os  meus  braços…      Nesta   minha  oração  não   peço

                       mais do que a vida do meu filho.

 

                                        (Pela  porta  do  quarto  do Menino sai uma Criada.

                                         Clara, ao vê-la, pergunta-lhe ansiosamente:) 

 

 

Clara            - O meu filho?... Como está o meu filho?...

 

Criada         - Sossegue,      menina,   o      nosso     menino      há-de       salvar-se… 

                      O   médico   está    confiante…      A   enfermeira   disse-mo…    Tenha

                      esperança…  (Retira-se para o lado oposto). 

 

Clara           - Meu  Deus,  Meu  Deus!...     Virgem Maria…      Tu, que  sofreste  pelo

                      Teu    Filho…         Tu,  que   choraste    lágrimas    de    dor    sentida…

                      Compreendes a minha  dor de mãe…     Compreendes o que me vai no

                       peito…  Compreendes como ninguém (Chora soluçante) …  Vela pelo

                       meu filho, vela pelo meu filho!...

 

                                        (A Criada atravessa a cena levando na mão uma

                                          cafeteira que se adivinha levar água quente)

 

 

D. Eduarda - (Em pranto convulsivo) Pai nosso que estás no Céus…

 

                                         (A Criada sai novamente do quarto do menino e

                                          desaparece   pela   porta  oposta  reaparecendo

                                            logo após trazendo nas mãos toalhas brancas,

                                           algodão e uma garrafa de água oxigenada)

 

 

D. Eduarda - (Como que finalizando a começada oração:) …   Agora e na hora da

                      nossa morte.     Amen!     (Olhando  para   o   genro, que  não  parou

                      um  instante de fumar, diz:)     Carlos…   Acompanha-nos nas nossas

                      orações…

 

Clara           - (Levanta-se e vai até ao marido)     Anda,  Carlos…     Põe   as  tuas

                        ideias  de  parte  e  vem  connosco  pedir  a  Deus  que salve o nosso

                        filho…   (Silêncio)    Tu não ouves, Carlos? 

 

Carlos         - Não…  Peço-te…   Reza tu…   Reza tu porque eu não posso!...

 

Clara            -  É o nosso filho, Carlos!...

 

Carlos          -  Reza tu…  Reza tu se tens fé…   A minha fé está ali, no médico…

 

Clara            -  Por piedade, Carlos…

 

D. Eduarda - (Quási simultaneamente)     Perdoa-lhe,  Senhor!     (Dirigindo-se  ao

                      genro)      Que o Altíssimo não nos castigue pela tua heresia!...

 

Carlos          -  Descansem… Não castiga…

 

D. Eduarda - Cala-te!    As   tuas   ideias   são   ervas  daninhas  que  não  encontram

                     aqui terreno propício…     És  muito  bom  rapaz…     Considero-te  como

                     um filho…     Mas  por  caridade, Carlos, este  não  é  o momento melhor

                     para nos falares assim…

 

Carlos        - Concordo, mãe…     Mas   deve  concordar  também  que  não  fui   eu

                      quem    começou    esta    conversa    desagradável!...     (Levanta-se)

                      Pediram-me    para    rezar…       Pediram-me    para    ir    contra    os

                      meus    princípios…     (Depois  de  breve silêncio:)     Não   pensam,

                      decerto,  que   o   meu   coração   não    está,   neste     momento,  tão

                      despedaçado como o vosso…    É  a  vida do meu  filho  que  está  em

                       jogo…      Numa   última  tentativa  de  golpear  o  Destino  chamámos

                       o  médico…    Ele  ali  está…    É  nele, mãe, é  nele  que  está  toda a

                       minha   esperança…     Toda   a   minha    fé…      Não   em    Deus…  

                       Porque esse, foi o primeiro a ferir-nos…

 

D. Eduarda - (Acarinhando-o)     O que é isso, meu filho…   Tu não estás em ti…

 

Carlos          - Estou, sim!    Tão  em  mim  estou que me sinto revoltado contra esse

                        vosso deus  que  tanto  vos  castiga   mas  Vocês  adoram…     (Com

                        brutalidade)      Deus… Existe Deus?...

 

Clara            -  Perdoa-lhe, Senhor, porque ele não sabe o que diz!...

 

D. Eduarda - Não tenhas dúvida, meu filho… Deus Existe! Em tudo o que nos rodeia

                     sentimos o Seu Halo!...  A sua força… A sua presença… Tudo o que de

                     belo vivemos é obra do Senhor…   O ar que respiramos…   A água que

                     bebemos…        O   perfume   das   flores…      O   volitar   das   aves…

                     Os  sorrisos das crianças…   Tudo…    Tudo  é  por  vontade  de  Deus!

                     A  própria  vida, com  os  seus mistérios, está  impregnada  de   Deus…

                     A   alegria   e   a   dor   são    manifestações   Divinas…   Deus  existe…

                     Deus existe, sim!

 

Carlos        - Existe?      É  Omnipotente?      Então   porque   consente   carnificinas?

                      Porque   consente   esse   vosso   deus   que   no   mundo   haja   tanta

                      maldade, tanto ódio?      Deus  existe?     Se  existe porque permite que

                      os   homens   não   se  conheçam  como  irmãos  mas sim  como  feras

                      enraivadas?     Porque  consente  tanta  miséria, tanto  luto, tanta  dor?

 

D. Eduarda - A dor é  necessária!       Sem   dor…      As  nossas  existências  seriam

                     doces   demais…        Para   que   merecêssemos   o   prémio   da   Sua

                     Bondade!...      Sem  sofrimento, sem  dores físicas e morais, sem  lutos

                     e  sem  lágrimas…   A  vida  não  teria  finalidade…    Seria  monótona…

                     Sempre igual…  Tem que haver bom e mau…   Alegria e tristeza…  Pão

                     e fome…  Só assim os espíritos dos eleitos podem triunfar…   Que a ira

                     do Senhor não caia no inocentinho que sofre!...

                                                  

Carlos        -  A  vossa  fé  em  Deus  é  igual  à minha fé no destino…    No  que  tem

                      que ser…   Descansai…    Se  o vosso Deus é o Justo e o Omnipotente

                      a  sua  ira  não  se   manifestará   no   meu   filho   que   luta   contra   a

                      morte!...     Não  tenham  medo…   Deus  não  existe e a vossa fé não é

                      mais do que medo…   Medo  do  desconhecido…    Tanta   fé   e   tanto

                      receio  ao  mesmo  tempo…     Porque  receais  que  o vosso Deus nos

                      castigue?     Porque  receais   se  é  nele  que está a vossa esperança?

                      Não é ele justo?   E vós não o amais?   E se é justo quererá fazer sofrer

                      quem tanto o ama?

 

Clara            - Diga-lhe que se cale, mãe… Eu enlouqueço…

 

Carlos         - Felizmente  que  eu  pus  a  razão  acima do meu coração!  Eis  porque

                      estou calmo…    Eis   porque   confio   mais  na  ciência daquele que ali

                      dentro  está   lutando  contra   a   morte   que  ronda  o  corpo  frágil  do

                       meu filho…   Não!  Deus não existe…   Se  existisse  não  quereria  ver

                       um inocente pagar por crimes que não cometeu!  Que mal  fez  o  meu 

                       filho?   Que  mandamento infringiu ele?   Matou?   Roubou?  Desejou a

                       mulher do próximo?

 

Clara            - (Revoltada) Pela vida do nosso filho peço-te que te cales…

 

Carlos         - Pois é pela vida do nosso filho que eu tenho de falar de  toda  a   revolta

                       que  sinto  dentro  do  peito…   Uma  revolta  que  me  abrasa…   E  me

                       atormenta… E me faz sofrer…

 

Clara           - Deus, Deus, não  o  ouças…    Peço-te, Senhor,  que  não   o   ouças…

                       Ele  perdeu  a   razão…  As  suas  blasfémias   não   são   contra   Ti…

                       São  filhas  do  seu desespero…

 

Carlos          - Não!   Eu estou absolutamente senhor da minha razão!

 

Clara            -  Meu Deus!

 

Carlos          - Meu medo, queres dizer…

 

Clara            - Por piedade… Não quero ouvir-te mais…

 

Carlos          - Não  queres  ouvir  o  que  é   lógico  e  sensato…    Esse  Deus  a  que

                        vocês  se  Entregaram    mas    a     que     eu    nego    existência,  não

                        é    o    justo,  o  Omnipotente…   Se  ele  existe   pergunta-lhe   porque

                        nos  mortifica  tanto…  Só  encontrarás, como  resposta, o  eco  da  tua

                        ilusão!

 

D. Eduarda - Que a tua blasfémia não caia sobre nós…

 

Clara           - (Junto à imagem de Jesus)      Pai   Nosso,  que   estais   nos  Céus…

                       Ó Deus Misericordioso…      Que  a  Tua  Infinita   Bondade  desça  até

                       esta   casa…     E  perdoa…     Perdoa   tudo  quanto   aqui   se  disse…

                       Perdoa-lhe  com  a  Tua  Infinita  Piedade  porque  ele  enlouqueceu!...

 

Carlos         - Não  enlouqueci,  não!     Vejo   claro   ao   olhar   o   que   me  rodeia…

                       Fome…   Peste…   Luto…   Guerras…  Mulheres sem marido…   Filhos

                       sem pais…    Pais  sem  filhos…   (Aqui, por  ser  o  seu  caso  e  para

                       que    o    seu    egoísmo   se   revele, dá   outra   inflexão   à    voz.)

                        Porquê?            Maldito…              Maldito    seja    o    vosso      Deus!  

                       (Isto  dizendo   corre   para   a   imagem de Jesus e tenta destruí-la,

                        no  que  é   impedido  por  Clara  e  por  D. Eduarda  que  coloca  a

                        imagem  no  lugar  onde  estava.   Carlos  desloca-se  para  o  lado

                        oposto, para   perto  do  seu  sofá. Clara toma também lugar  perto

                        de si.    Clara   toma   também   lugar  perto   de   si.     Carlos  está

                        visivelmente  perturbado  e  dá  mostras de que se arrependeu em

                        parte do acto que ia cometer.)

 

Médico       - (Entrando   a   libertar-se   da   máscara   que   traz   no   rosto)     

                       Está  salvo  o menino…   Foi  Deus…    Foi  Deus  que  esteve  à minha

                       beira…   (Ditas   estas  palavras Carlos deixa-se cair no sofá.  Clara

                       corre para a porta do quarto onde está o filho, dizendo:)

 

Clara           -  Salvo,  o  meu  filho…   (Pausa)    Anda, Carlos…    Anda  ver  o  nosso

                       menino…

 

                                         (Carlos não se mexe…     Vê-se que pretende falar

                                          mas  da  sua  boca  saem  apenas  débeis esgares.  

                                          O  médico  adivinha  o acontecido e aproxima-se

                                          começando  imediatamente  a examiná-la.   

                                          Clara,  como  louca,  corre para junto do marido

                                          e diz:)

 

 

Clara           - Carlos…    O  nosso filho está salvo…   

 

                                         (Carlos tenta erguer-se.   Não pode.  Clara corre

                                          para a imagem de Jesus)

 

 

 

Clara            - Meu  Deus, Meu  Deus!    Para que o castigaste?     Se me deste o meu

                       filho    porque    me   tiras   agora   o   meu   marido?       Ele  delirava… 

                       Ele mentia…   Porque me castigas assim, Deus do Céu?...

 

                                         (Clara corre para junto do marido)

 

 

Clara            - Carlos, meu   querido  Carlos…     Porque  duvidaste  do   Seu   poder?

                        Porque   duvidaste, Carlos…      (Com   ternura   e  lágrimas  na voz)

                        Anda, Carlos…   Anda ver o nosso menino…  (Ampara-o. O médico e

                        D. Eduarda    ajudam.      Carlos, ainda   e   sempre   aos   esgares,

                        deixa-se  arrastar, com  os olhos postos na imagem de Jesus.)

 

                                         (Repentinamente Carlos estremece.  Recuperou

                                           os movimentos perdidos.   Largam-no  a  medo.

                                           O   médico  afasta-se  para  o  lado.     Onde   se

                                           encontram, Clara  e D. Eduarda  ajoelham assim

                                           como  a  Criada, que  entrou  entretanto. Carlos

                                           ensaia um  passo.  Neste  momento  ouve-se  a

                                           “Ave-Maria”, de   Schubert.  Carlos  continua  a

                                           a   caminhar   lentamente, a  medo.    Uma   vez

                                           chegado  junto  da  imagem  de  Jesus  põe  as

                                           mãos   em  oração.    A  melodia  vai  morrendo.

                                           Emocionado, Carlos diz:)

 

 

 

Carlos          - Perdoa-me… (Deixa-se cair de joelhos e finaliza:)   … Senhor!

 

 

 

 

PANO, MUITO LENTO

 

FIM

 

                                                                                 Lisboa, 12 de Março de 1960

 

 

A peça de teatro “Blasfémia” foi levada à cena pelo Grupo de Teatro Almeida Garrett por mais de uma centena de vezes, em diversas localidades do nosso País.

 

                                                Com o seguinte elenco:

                                                - Clara - Carlota Calazans

                                                - D. Eduarda - Rosa Bastos

                                                - Carlos - Agostinho Alves

                                                - Médico - Celso Sacavém

                                                - Criada - Amélia Maria

 

 

 

            Celso Sacavém       celsosacavem.blogs.sapo.pt        @celso.pereira.525

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                       0 400px-P_culture.svg.png

                                                                 Teatro     (2)

 

 

 

 

 

1 -  Paris Comedie-Francaise (2005)

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Stages_in_art#/media/File:Paris_Comedie-Francaise.jpg

Paris Comedie-Francaise - 2005

 

 

 

 

2 - Teatro

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Theatre_in_art#/media/File:P_culture.svg

Autoria de cultura P - 2012

 

 

 

 

http://www.abiblia.org/ver.php?id=3369 

In Mateus (Mt 6, 9-14):

 

Pai Nosso que estais nos céus,
santificado seja o vosso Nome,
venha a nós o vosso Reino,
seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do Mal.

 

 

Fados

 

 

0 Maria_Severa_-_Fado-Sängerin.jpg          0 Francisco_Augusto_Metrass_-_Revista_contemporane

             A Severa (1820-1846)    (1)        Francisco Augusto Metrass (1825-1861)  (2)

 

 

 

 

 

                                              Quantas saudades eu tenho

                                              dos belos tempos de antanho

                                              em que a cantar se vibrava!

                                              Em que o fadista de raça,

                                              com sentimento e com graça,

                                              a sua vida cantava!

 

 

                                              Que saudades dessa era

                                              em que o canto da Severa

                                              empolgava as multidões!

                                              Em que a guitarra, tremente,

                                              soluçava, em tom dolente,

                                              dentro em nossos corações! 

 

 

                                              Que saudades, que saudades

                                              sinto ao ouvir as Trindades

                                              chamarem à oração!

                                              A minh´alma foge logo

                                              nas róseas asas do fogo 

                                              que me aquece o coração!

 

 

                                              Ai! Que saudades que tenho  

                                              daqueles tempos de antanho

                                              em que vivia a Severa!

                                              São saudades de bairrista,

                                              de sentimental fadista,

                                              de não viver nessa era!

 

 

 

          Celso Sacavém        celsosacavem.blogs.sapo.pt        @celso.pereira.525

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                      0 PetrusPictaviensis_CottonFaustinaBVII-folio42v_S

                        Versão mais antiga do "Escudo da Trindade" (1210)    (3)

 

 

 

 

 

 

1 - A Severa (1820-1846)

https://en.wikipedia.org/wiki/Maria_Severa-Onofriana#/media/File:Maria_Severa_-_Fado-S%C3%A4ngerin.jpg

Obra do pintor português Francisco Metrass (1825-1861). Digitalização em 2011 a partir do site:

http://www.fotolog.com/luzesdaribalta/73573249

 

 

 

 

2 - Francisco Augusto Metrass (1825-1861)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Augusto_Metrass#/media/File:Francisco_Augusto_Metrass_-_Revista_contemporanea_de_Portugal_e_Brazil_(Fev._1861).png

Francisco Augusto Metrass (1825-1861), pintor português da época romântica.

Autor Desconhecido - Hemeroteca Digital - "Revista contemporânea de Portugal e Brazil" (N.º 11, Fev. 1861)

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Augusto_Metrass

Francisco Augusto Metrass

 

 

Movimento(s): Romantismo em Portugal

 

 

Francisco Augusto Metrass (Lisboa, 1825 - Madeira, 1861) foi um pintor português da época romântica.

 

Biografia

Filho de uma família abastada de origem alemã, que se dedicava ao comércio de importação. Os seus primeiros estudos foram feitos na Academia das Belas Artes de Lisboa como aluno voluntário, para onde entrou em 1836, tendo como mestres Joaquim Rafael e António Manuel da Fonseca e como colegas Anunciação, Cristino e Manuel Maria Bordalo Pinheiro.

Estudou também em Roma a partir de 1844, com os pintores de origem alemã do Grupo dos Nazarenos Overbeck e Cornelius e tendo tido como companheiro de estudos outro artista português, Francisco Pereira Meneses.

De volta a Portugal, deixou a pintura de retrato e começou a dedicar-se à pintura histórica. Como a sua obra não era muito apreciada, tendo mesmo vendido toda a sua obra a um corretor de leilões, foi para França, tendo regressado novamente em 1853 com a sua técnica mais aperfeiçoada (estudou Rubens, Rembrandt e Van Dyck), sendo então a sua obra já admirada pelo grande público e pelo rei D. Fernando que lhe comprou o quadro Camões e o Jau

Foi professor de pintura histórica em 1854, na Academia de Belas-Artes e colaborou na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865).

 

Metrass morreu com trinta e seis anos de idade, vítima de tuberculose.

 

 

Exposições

Palácio dos condes de Lumiares

Exposição filantrópica da Sala do Risco

Exposição trienal de 1856

Exposição Universal de Paris (1855)

 

 

 

 

 

 

3 -  Versão mais antiga do "Escudo da Trindade" (1210)

https://en.wikipedia.org/wiki/Shield_of_the_Trinity#/media/File:PetrusPictaviensis_CottonFaustinaBVII-folio42v_ScutumFidei_early13thc.jpg

Versão mais antiga do diagrama Scutum Fidei do simbolismo medieval cristão ocidental, atestada, de um manuscrito de Peter de Poitiers escritos ', c. 1210.

Desconhecido (escrivão do século 13) - Biblioteca Britânica

Detalhe de algodão Faustina manuscrito B. VII, 42V fólio, mostrando um "Scutum Fidei" ou protetor da Trindade diagrama triangular, com uma representação de Cristo na cruz. Isso faz parte de um ca. 1210 ilustração à Compêndio Historiae em Genealogia Christi por Peter de Poitiers (ou Petrus Pictaviensis).

O texto em latim sobre o escudo na imagem inclui as palavras ou abreviaturas dos escribas para "Pater" (o Pai), "SPIRITUS SANCTUS" (o Espírito Santo), e "FILIUS" (o Filho) nos três nós exteriores, e " DEUS "(Deus) no nó de centro.

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Poitiers

Pedro de Poitiers

 

Pedro de Poitiers (em latim: Petrus Pictaviensis; em francês: Pierre de Poitiers) foi um teólogo escolástico francês nascido em ou próximo de Poitiers por volta de 1130. Pedro morreu provavelmente em 1215.

 

Pedro estudou na Universidade de Paris, onde tornar-se-ia professor de teologia e lecionaria por trinta e oito anos. Em 1169, sucedeu Pedro Comestor na cadeira de teologia escolástica. Suas aulas foram inspiradas pela animosidade de Garnério de São Vítor (Gauthier), um dos mais amargos opositores do escolasticismo, que o listou junto com Gilberto de la Porrée, Abelardo e Pedro Lombardo num panfleto no qual tentou ridicularizar os quatro doutores chamando-os de "Os Quatro Labirintos da França". 

Como chanceler da Igreja de Paris, demonstrou grande zelo em prol dos estudantes mais pobres, e numa tentativa de suprir a necessidade de livros-texto, que eram muito caros, mandou gravar um "resumo" nas paredes das salas de aula para ajudá-los. Em 1191, foi nomeado pelo Papa Celestino III para resolver a disputa entre as abadias de Santo Elói e São Vítor. Além de Celestino, Pedro se correspondia também com o Papa Inocêncio III.

 .

 

 

 

 

 

https://pt.wiktionary.org/wiki/trindade

Trindade - Substantivo feminino

 

Associação de três pessoas ou coisas para algum fim.

 

Etimologia

Do latim trinitate.

 

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Trindade

Trindade

 

Trindade pode referir-se a:

 

Religião

Em religião, a trindade é a doutrina que considera Deus como sendo constituído por três hipóstases.

 

Trindade (cristianismo) — perspectiva cristã.

Trimúrti — perspectiva hindu

Aúra-Masda — perspectiva zoroastra

Mãe Tríplice — perspectiva wicca

Hades#Hades, Zeus e Posseidon: hipótese da trindade (Trindade olímpica) — hipótese que une os três principais deuses da mitologia grega (Zeus, Hades e Posseidon)

 

 

 

 

Teatro

 

       0 800px-Lisbon44.jpg

                                                                            Bombeiros de Lisboa (2006)     (1)

 

 

 

 

 

 

Bombeiros de Portugal

 

 

 

 

Entra uma mulher vestida de bombeira. Vem trajada com certa solenidade. Atrás dela vem um “cavalheiro”, um tanto ou quanto alcoolizado:

 

Homem    - Onde vais, ó lindinha?!...

 

Bombeira - O Senhor tenha tento nessa língua.

 

Homem    - Pois sim…    Vais  tão  bonita…    Pareces  um  soldadinho  de  chumbo…

 

Bombeira - O  senhor  é   muito   mal   educado!     Fala   assim   porque   eu    venho

                    sozinha…  É   pena   que   o   meu   irmão   não   esteja   aqui   ao  pé  de

                    mim. Tenho  a  certeza, que  se  ele  estivesse  aqui  o  senhor não teria a

                    coragem  de  se me  dirigir  nesses termos!...

 

Homem    - Pois não, lindinha… Não  teria  coragem…   Estás  tão  bem  fardadinha…

                    Vais para alguma procissão?

 

Bombeira - Por acaso não vou para nenhuma procissão…

 

Homem    - Não?! Então para onde vais, pode saber-se?

 

Bombeira - O  senhor  não  merece  que  eu  perca  tempo consigo, mas  sempre  lhe

                    digo que vou para a festa da minha Associação.

 

Homem    - Os meus sinceros parabéns para a tua Associação.

 

Bombeira - O senhor é mesmo um nojo!

 

Homem    - Pois  sou, lindinha…  Onde  tu  vais,  sei  eu   muito   bem…  Vais  para  a

                    paródia… No quartel da tua Associação é cada regabofe…

 

Bombeira - Está     muito    enganado.     No    meu    quartel    há     respeito…    Dos

                    Voluntários  ao  Comando  e deste à Direcção, há amizade e respeito uns

                    pelos    outros…    Do   mais   baixinho   ao   mais   graduado   todos   nos

                    respeitamos e damos como irmãos.

 

Homem    - Está bem, abelha!... Vai mas é para casa coser meias…

 

Bombeira - O  senhor  é  muito  asqueroso.   O  que  lhe  vale  é  estar  bêbado seu…

                    Seu… Seu estúpido.

 

Homem    - Pois, pois, lindinha… Eu sou estúpido.

 

Bombeira - (Com lágrimas na voz)    O  senhor  é   um   bebedanas…    Não  tem   o

                    direito…

 

Homem    - Não tenho o direito…  E não tenho o esquerdo…

 

Bombeira - Quer  dizer:  uma  pessoa  entrega-se  a  uma  causa…   Serve-a   com  a

                    maior   alegria…   Dá-se  a  ela   com   toda   a  força   do  seu  coração…

                    Cumpre horários…    Faz  piquetes…    Acompanha  os   doentes,  muitas

                    vezes  possuidores  de  doenças  contagiosas…  Vai aos hospitais…  Lida

                    com cadáveres…     Sujeita  muitas  vezes  a  contrair   alguma  doença…

                    Serve o seu  semelhante  com  total  desprezo  pela  própria  vida  e afinal

                    o que recebe em troca?!... Bocas foleiras, como a sua.

 

Homem    - Tadinha!...

 

Bombeira - Qual tadinha,  qual quê!!!    Uma  pessoa  sacrifica-se, quantas vezes com

                    risco  da  própria   vida   e  afinal  o  seu  sacrifício  é  inglório.   É  tomado

                    como  um  simples  capricho, uma aventurazinha sem nexo e sem valor…

                    As  horas   que    dou    à   minha    Associação,  os   dias,  as   noites,  os

                    sábados   e   os   domingos,  tendo  em   mente   apenas    o    desejo   de

                    servir   os   outros,  ser  útil  ao  seu semelhante,  são  para   si  horas   de

                    brincadeira…   Não  está  certo!    O  senhor não  pode  pensar  assim  de

                    quem  apenas  quer  ter  a satisfação do dever  cumprido…

 

 

                                 SER BOMBEIRO, CARO SENHOR,

                                 É ENTREGARMO-NOS DE ALMA E CORAÇÃO

                                 À CAUSA DO BEM COMUM…

 

                                 SER BOMBEIRO É VIVER EM CONSTANTE

                                 ALERTA PARA DAR CONSOLO A QUEM SOFRE…

 

                                 SER BOMBEIRO É SER ALGUÉM QUE QUER SER

                                 O LENITIVO PARA QUEM PRECISA DUM OMBRO AMIGO…

 

 

 

Bombeira - O  senhor  sabe  é  beber  vinho…   O  senhor sabe lá o que quer  dizer  o

                    nosso lema ”VIDA POR VIDA”…  O senhor sabe lá…

 

 

(Ouve-se entretanto o barulho duma travagem seguido do estrondo duma colisão. A Bombeira sai a correr.)

 

 

Homem    - Lá  vai  a  Bombeirinha:   lá  vai  ela  armada  em   heroína…    O  que  ela

                   quer é  música e fardamentos novos…

 

 

(Entra a Bombeira com uma criança nos braços. Vem toda suja de sangue, na cara e na farda. Entretanto ouve-se a sirene duma ambulância e entram em cena um bombeiro e uma outra bombeira. Ambos trazem uma maca, que poisam no chão. A Bombeira com muito cuidado deposita o corpo da criança na maca. O bêbado aproxima-se e solta um grito)

 

 

Homem    - Que  é  isto,  meu  Deus!   A minha filhinha… Oh  meu  Deus, meu Deus...

                    Desculpe  menina Bombeira… Desculpe  as minhas palavras…   Salve-a,

                    senhora  Bombeira…  Salve  a  minha  menina… Não  me  castigue  mais

                    do  que Deus já me castigou…

 

 

(Aqui o bêbado ajoelha-se junto à Bombeira, abraça-lhe as pernas, e diz:)

 

 

Homem    - Perdão!!!  Eu peço perdão!!!

 

 

 

FIM

 

 

 

 

            Celso Sacavém        celsosacavem.blogs.sapo.pt       @celso.pereira.525

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0 800px-Monumento_ao_Bombeiro_-_Carlos_Botelho.jpg      0 800px-Carlos_Botelho,_December_1968.jpg

      Monumento ao Bombeiro, em Belas.    (2)                           Carlos Botelho (1968)    (3)

 

 

 

 

 

 

1 - Bombeiros de Lisboa (2006)

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Fire_fighter&uselang=pt#/media/File:Lisbon44.jpg

Fotografia de Georges Jansoone, em 2006.

 

 

 

2 - Monumento ao Bombeiro, em Belas. 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Monumento_ao_Bombeiro_-_Carlos_Botelho.jpg

Obra de Carlos Botelho em Belas - Sintra. Fotografia de Carlos Botelho em 2002.

 

 

 

 3 - Carlos Botelho (1968)

https://commons.wikimedia.org/wiki/Carlos_Botelho_(1899-1982)#/media/File:Carlos_Botelho,_December_1968.jpg

Carlos Botelho, de Dezembro de 1968 – Fotografia do próprio.

 

 

 

https://commons.wikimedia.org/wiki/Carlos_Botelho_(1899-1982)

Carlos Botelho (1899 - 1982)

 

Carlos Botelho (1899, Lisboa - 1982, Lisboa), foi um Português pintor, ilustrador e caricaturista.

 

 

https://commons.wikimedia.org/wiki/Carlos_Botelho_(1964_-_)

Obra de Carlos Botelho

 

http://carlosbotelho.com

Site Oficial do artista português

 

 

 

Sonetos

 

0 Bouguereau_-_égalité_devant_la_mort_1848.jpg

                                                                   Igualdade diante da morte (1848)    (1)

 

 

 

 

 

                                              Eu sou a Morte! A mãe da Santa Liberdade,

                                              Tão velha como o Mundo e dura como a Dor!

                                              Reside em mim, cantante, a Paz do Sonhador!

                                              Descansa em mim, sorrindo, a pobre Humanidade

 

 

                                              Eu sou a vida! A Taça que contém Amor,

                                              Aquele Amor Divino que nos dá Bondade!

                                              Sou eu quem distribui a doce Piedade,

                                              A Ventura de Deus, o Verbo do Senhor!

 

 

                                              Eu sou o fim do Fim! E nos meus fortes braços

                                              Envolvo quantos sofrem, pedem meus abraços!

                                              Sou eu!... Sou eu quem tem a Única Verdade!...

 

 

                                              Eu sou todo o Princípio! O Coração… A Luz…

                                              E vive em mim, oh! Morte, o que morreu na Cruz!

                                              E vive em mim, oh! Morte, a Sempiternidade!

 

 

 

 

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                               0 William_Bouguereau_in_his_studio.jpg

                                 William-Adolphe Bouguereau (1825 -1905)    (2)

 

 

 

 

 

1 - Igualdade diante da morte (1848)

https://pt.wikipedia.org/wiki/William-Adolphe_Bouguereau#/media/File:Bouguereau_-_%C3%A9galit%C3%A9_devant_la_mort_1848.jpg

Obra de William-Adolphe Bouguereau (1848)

 

 

 

 

2 -  William-Adolphe Bouguereau (1825 -1905) 

https://pt.wikipedia.org/wiki/William-Adolphe_Bouguereau#/media/File:William_Bouguereau_in_his_studio.jpg

Fotografia do artista em seus anos finais.

 

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/William-Adolphe_Bouguereau

William-Adolphe Bouguereau

 

 

Movimento estético:  Academicismo

 

 

William-Adolphe Bouguereau (La Rochelle, 1825 – La Rochelle, 1905) foi um professor e pintor académico francês. Com um talento manifesto desde a infância, recebeu treinamento artístico em uma das mais prestigiadas escolas de arte de seu tempo, a Escola de Belas Artes de Paris, onde veio a ser mais tarde professor muito requisitado, ensinando também na Academia Julian. Sua carreira floresceu no período áureo do academicismo, sistema de ensino do qual foi um ardente defensor e do qual foi um dos mais típicos representantes.

Sua pintura se caracteriza pelo perfeito domínio da forma e da técnica, com um acabamento de alta qualidade, obtendo efeitos de grande realismo. Em termos de estilo, fez parte da corrente eclética que dominou a segunda metade do século XIX, mesclando elementos do neoclassicismo e do romantismo em uma abordagem naturalista com boa dose de idealismo. Deixou obra vasta, centrada nos temas mitológicos, alegóricos, históricos e religiosos; nos retratos, nos nus e nas imagens de jovens camponesas

Acumulou fortuna e granjeou fama internacional em vida, recebendo inúmeros prêmios e condecorações — como o Prêmio de Roma e a Ordem Nacional da Legião de Honra — mas no final de sua carreira começou a ser desacreditado pelos pré-modernistas. A partir do início do século XX, logo após sua morte, sua obra foi rapidamente esquecida, chegando a ser considerada de todo vazia e artificial, e um modelo de tudo o que a arte não deveria ser, mas na década de 1970 começou a ser novamente apreciada, e hoje é considerado um dos grandes pintores do século XIX. No entanto, ainda existe bastante resistência ao seu trabalho, permanecendo a polémica em seu redor.

 

Vida

William-Adolphe Bouguereau nasceu em uma família que havia se radicado em La Rochelle desde o século XVI. Seus pais foram Théodore Bouguereau e Marie Marguérite Bonnin. Em 1832 a família se mudou para Saint-Martin, a principal cidade da ilha de Ré, onde o pai decidiu iniciar um negócio no porto. O menino foi matriculado na escola, mas passava grande parte do tempo desenhando. O negócio não resultou muito lucrativo, a família teve dificuldades económicas, e por isso encaminharam-no para viver com seu tio, Eugène Bouguereau, cura da paróquia de Mortagne sur Gironde. Eugène tinha cultura e introduziu seu pupilo nos clássicos, na literatura francesa e na leitura da Bíblia, além de dar-lhe aulas de latim, ensiná-lo a caçar e montar e despertar-lhe o amor à natureza. 

Para que aprofundasse seus conhecimentos clássicos, Eugène o enviou em 1839 para estudar na escola de Pons, uma instituição religiosa, onde entrou em contato com a mitologia grega, a história antiga e a poesia de Ovídio e Virgílio. Ao mesmo tempo, recebia lições de desenho de Louis Sage, um antigo aluno de Ingres. Em 1841 a família se mudou novamente, agora para Bordeaux, onde deveriam iniciar um comércio de vinhos e óleo de oliva. O jovem parecia destinado a seguir os passos paternos no comércio, mas logo alguns clientes da loja notaram os desenhos que ele fazia e insistiram que o pai o mandasse para estudar na escola municipal de desenho e pintura. O pai concordou, com a condição de que ele não seguisse carreira, pois via no comércio um futuro mais promissor. Matriculado em 1842 e estudando com Jean-Paul Alaux, apesar de frequentar as aulas apenas duas horas por dia, avançou depressa e acabou por receber em 1844 o primeiro prémio em pintura, o que lhe confirmou a vocação. Para ganhar algum dinheiro desenhava rótulos para géneros alimentícios.

 

Aperfeiçoamento e início da carreira

Através de seu tio, recebeu uma encomenda para pintar retratos de paroquianos, e com a renda dos trabalhos, mais uma carta de recomendação de Alaux, pôde, em 1846, se dirigir a Paris e ingressar na Escola de Belas Artes. François-Édouard Picot o recebeu como discípulo e com ele Bouguereau se aperfeiçoou no método académico. Na época, disse que ingressar na escola o deixou "transbordante de entusiasmo", estudando até vinte horas diárias e mal se alimentando. Para se aprimorar no desenho anatómico assistia a dissecções, além de estudar história e arqueologia. Seu progresso foi, assim, muito rápido, e obras desta fase, como Igualdade diante da morte (1848), já são trabalhos perfeitamente acabados, tanto que no mesmo ano dividiu a primeira colocação, junto com Gustave Boulanger, na etapa preliminar do Prémio de Roma. Em 1850 venceu a disputa final para o Prémio, com a obra Zenóbia encontrada por pastores nas margens do Araxe.

Estabelecendo-se na Villa Medici, como discípulo de Victor Schnetz e Jean Alaux, pôde estudar diretamente os mestres do Renascimento, sentindo grande atração pelo trabalho de Rafael. Visitou cidades da Toscana e da Úmbria, estudando os antigos, apreciando especialmente as belezas artísticas de Assis, copiando na íntegra os afrescos de Giotto na Basílica de São Francisco. Também se entusiasmou com os afrescos da Antiguidade que conheceu em Pompeia, que reproduziria em sua própria casa quando mais tarde voltou para a França, o que se deu em 1854. Passou algum tempo com seus parentes em Bordeaux e La Rochelle, decorou a villa dos Moulon, um ramo abastado da família, e depois fixou-se em Paris. No mesmo ano expôs no Salão O Triunfo do Martírio, realizado no ano anterior, e decorou duas mansões. Já seus primeiros críticos aplaudiram sua maestria no desenho, a feliz composição das figuras e a afortunada filiação a Rafael, de quem diziam que apesar de ele ter aprendido tudo dos antigos, deixara obra original. Também foi objeto de um elogioso artigo de Théophile Gautier, que muito lhe valeu para consolidar sua reputação.

Casou-se com Marie-Nelly Monchablon em 1856, e com ela teria cinco filhos. No mesmo ano o governo francês encomendou-lhe a decoração da prefeitura de Tarascon, onde deixou a tela Napoleão III visitando as vítimas da enchente de Tarascon em 1856. No ano seguinte obteve a medalha de primeira classe no Salão, pintou retratos do imperador Napoleão III e da imperatriz Eugênia de Montijo e decorou a mansão do rico banqueiro Émile Pereire. Com esses trabalhos Bouguereau se tornou um artista célebre, passando a ser procurado como professor

 

Anos finais

Bouguereau tinha opiniões firmes e em mais de uma vez travou embates com o público, com seus colegas e a crítica. Em 1889 entrou em choque com o grupo reunido em torno do pintor Ernest Meissonier a respeito do regulamento dos Salões, o que acabou resultando na criação da Sociedade Nacional das Belas Artes, que manteve um Salão dissidente. Em 1891 os alemães convidaram artistas franceses para expor em Berlim, e Bouguereau foi um dos poucos que aceitou, dizendo que sentia ser um dever patriótico penetrar na Alemanha e conquistá-la através do pincel. Isso não obstante despertou a ira da Liga dos Patriotas de Paris, e Paul Déroulède iniciou uma guerra contra ele na imprensa. Por outro lado, o sucesso de Bouguereau na organização de uma mostra de artistas franceses na Royal Academy de Londres teve como efeito a criação de um evento permanente, de repetição anual.

Seu filho Paul, que havia se tornado um respeitado jurista e militar, faleceu em 1900, sendo a quarta morte de um filho que Bouguereau teve de testemunhar. (...) A perda foi crítica para Bouguereau, cuja saúde a partir de então declinou rápido. Em 1902 manifestaram-se os primeiros sinais de um mal cardíaco. Teve, porém, a felicidade de ver aclamada a obra que enviara à Feira Mundial, e em 1903 recebeu a insígnia de Grande-Oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra. Logo depois foi convidado para as celebrações do centenário da Villa Medici em Roma, passando em seguida uma semana em Florença com sua esposa. Nesta altura recebia amiudados convites para ser homenageado em cidades da Europa, mas sua saúde precária o obrigava a recusá-los, e acabou por impedi-lo de pintar. Pressentindo o fim, mudou-se em 31 de julho de 1905 para La Rochelle, onde expirou em 19 de agosto.

 

Obra

“A cada dia entro em meu estúdio cheio de alegria; à noite, quando a escuridão me obriga a deixá-lo, mal posso esperar pelo dia seguinte. Se eu não pudesse devotar-me à minha amada pintura eu seria um pobre coitado.”

  

Contexto

Bouguereau floresceu no auge do academismo, um método de ensino nascido no século XVI e que em meados do século XIX chegara a obter uma influência dominante. Baseava-se no conceito fundamental de que a arte pode ser integralmente ensinada através da sua sistematização em um corpo comunicável de teoria e prática, minimizando a importância da originalidade. As academias valorizavam acima de tudo a autoridade dos mestres consagrados, venerando de modo especial a tradição clássica, e adotavam conceitos que possuíam, além de um caráter estético, também um fundo ético e um propósito pedagógico, produzindo uma arte que almejava educar o público e assim transformar a sociedade para melhor. 

(...) Por fim, o apoio dos burgueses aos académicos era também uma forma de aproximar-se deles e revestir-se de um pouco de seu prestígio, indicando um desejo de ascensão social. O interesse na proposta académica de modo geral permaneceu, pela grande reputação da escola e pelo alto nível de qualidade do seu produto, mas foi preciso que ela se adaptasse oferecendo não apenas uma variação temática, mas um novo estilo de apresentação desses novos temas, resultando numa sedutora combinação de beleza idealizada, superfícies polidas, sentimentalismo fácil, acabamentos detalhados, efeitos decorativos, cenas de costumes, paisagens exóticas e às vezes um erotismo picante. Essa mudança de mentalidade foi tão importante que, como Bouguereau expressou em uma entrevista de 1891, determinou uma transformação em seu trabalho:

"Aqui está meu Anjo da morte. À frente está minha segunda pintura, Dante no Inferno. Como você pode ver, elas são diferentes das pinturas que faço hoje.... Se eu continuasse a pintar trabalhos semelhantes, é provável que, como esses, eu ainda os teria comigo. O que você espera? Você tem que seguir o gosto do público, e o público só compra aquilo que gosta. Este é o motivo pelo qual, com os anos, eu mudei minha maneira de pintar".

(...) Bouguereau dedicou grande parte de suas energias para satisfazer o gosto do novo público burguês, mas era claro seu idealismo e a sua identificação de arte com beleza, e nisso ele permanecia fiel à tradição antiga. Em certa ocasião declarou sua profissão de fé:

"Em pintura, sou um idealista. Na arte só vejo o belo, e para mim arte é o belo. Por que reproduzir o que a natureza tem de feio? Não vejo o porquê disso ser necessário. Pintar exatamente o que vemos - não! - ou pelo menos não para aqueles que não sejam extremamente talentosos. O talento redime tudo e tudo desculpa. Hoje em dia os pintores vão longe demais, assim como vão os escritores e novelistas. Não se pode saber onde eles vão parar". 

Mesmo em obras que retratam mendigos, tende à idealização, o que é um dos motivos para as críticas que já durante sua vida o acusavam de artificialismo. Em Família indigente fica óbvia a ambiguidade do seu tratamento: enquanto que a imagem deveria evocar a miséria, está composta com a harmonia e equilíbrio da Renascença e se destina a enobrecer os sujeitos; percebe-se que todos estão bastante limpos, são belos, o bebê nos braços da mãe é roliço e rosado e parece inteiramente saudável. Na opinião de Erika Langmuir, em que pese o tema e a notória compaixão e generosidade pessoal do artista, "a obra não serve como reportagem social nem conclama à ação (contra a miséria)", como ficou patente para os seus críticos quando foi exposta: "O sr. Bouguereau pode ensinar seus alunos como desenhar, mas não pode ensinar aos ricos como e o quanto as pessoas sofrem em seu redor". 

Não obstante, esta abordagem não era-lhe exclusiva, e fazia parte da tradição académica. Mark Walker observou que a despeito das críticas que se possa levantar contra suas idealizações, por não representarem exatamente a realidade visível, a idealização em si, com a fantasia que ela envolve, não pode ser considerada elemento alheio à arte. 

(...) Levando em conta o seu contexto e suas preferências pessoais, pode-se sumarizar a descrição de seu eclético estilo da seguinte maneira:

No início era filiado à tradição clássica idealista da Antiguidade e do Renascimento, continuada na escola neoclássica de David e Ingres, mas absorveu elementos adicionais que deram ao seu estilo maior vivacidade, elegância, sensualidade e imediatismo, sem perder sua índole idealizadora. Entre esses elementos são mais evidentes:

Um forte componente romântico, que aparece mais na forma de um certo sentimentalismo, uma atmosfera idílica e às vezes um considerável erotismo.

Traços realistas, enfatizados por um acabamento técnico impecável que em certos momentos se aproximava do efeito de uma fotografia, técnica que conhecia grande popularização na época e que o artista às vezes utilizou como auxiliar em suas composições.

Em algumas pinturas parece recuperar valores do Rococó, com um acentuado senso decorativo, formas elegantes, composição descomplicada e uma temática leve e jovial.

Também mostra ter recebido alguma influência do estilo representativo altamente detalhado dos Pré-rafaelitas.

Sua obra de certa maneira se coloca como uma antecipação do Modernismo por sua abordagem otimista do mundo, influenciada pelos progressos da ciência e pela doutrina do Positivismo.

 

Docência

Em sua carreira de professor, em que formou inúmeros alunos, adotou o mesmo método em que fora educado, que exigia uma rigorosa disciplina, um estudo aprofundado dos mestres antigos e da natureza e um perfeito domínio das técnicas e materiais. No método académico não havia lugar para o improviso. Como ele disse certa vez para seus alunos: "Antes de iniciarem o trabalho, mergulhem no sujeito da obra; se vocês não o compreendem, estudem mais, ou busquem um outro tema. Lembrem que tudo deve ser planejado de antemão, até os menores detalhes". Isso não quer dizer que fosse dogmático. (...) Pensava que não havia sentido em tentar produzir pintores segundo o modelo renascentista.... Ele próprio não demonstrava interesse em filosofia, em política ou em literatura; não dava importância para teorias sobre pintura e rejeitava análises prolongadas". O próprio artista escreveu:

"A teoria não tem lugar.... na educação básica do artista. São o olho e a mão que devem ser exercitados durante os impressionáveis anos da juventude.... É sempre possível mais tarde adquirir o conhecimento necessário para a produção de uma obra de arte, mas nunca - e quero enfatizar este ponto - nunca a vontade, a perseverança e a tenacidade de um homem maduro bastarão se a prática for insuficiente. E pode haver angústia maior do que aquela sentida pelo artista que vê a realização do seu sonho prejudicada por uma execução medíocre?"

Não manteve uma escola privada, mas ensinou na Academia Julian a partir de 1875 e na Escola de Belas Artes de Paris a partir de 1888, nesta só ministrando desenho. Entre seus muitos discípulos, podem ser citados alguns que adquiriram notoriedade: Lovis Corinth, Robert Henri, Henri Matisse, John Lavery, William Blair Bruce,  Jean-Édouard Vuillard, Florence Carlyle, Augustus Koopman...

 

Obra

No início não tinha certeza de seu valor. Em nota escrita em 1848, quando tinha 23 anos, ansiava por ser capaz de criar obras "dignas de um homem adulto". Contudo, com o tempo passou a ser mais confiante: "Meu coração está aberto à esperança, tenho fé em mim mesmo. Não, os árduos estudos não foram inúteis, a estrada que palmilho é boa, e com a ajuda de Deus conquistarei a glória". De fato a conquistou. Trabalhando incansavelmente, e sendo altamente disciplinado e metódico, tornou-se rico, famoso e deixou obra vasta, com 828 peças catalogadas.

Ao longo da maior parte de sua carreira Bouguereau foi considerado um dos maiores pintores vivos e a mais perfeita corporificação do ideal académico, sendo comparado a Rafael. Sua feliz combinação de idealismo com realismo era muito admirada, e Gautier disse que ninguém podia ser ao mesmo tempo tão moderno e tão grego. Suas obras atingiam preços astronômicos, e corria uma anedota de que ele perdia cinco francos a cada vez que largava os pincéis para ir urinar. Educou uma legião de discípulos e tê-lo como mestre era quase sempre um passaporte garantido para uma colocação no mercado. Dominou os Salões parisienses numa época em que Paris era a Meca da arte ocidental e em seus tempos de glória sua fama dentro da França só era comparável à do presidente da República. Os colecionadores norteamericanos o tinham como o melhor pintor francês de seu tempo, e era muito apreciado também na Holanda e Espanha.

Porém, no final do século XIX, quando o Modernismo iniciou sua ascensão, sua estrela iniciou seu ocaso. Degas e seus companheiros viam em Bouguereau principalmente artificialidade, e "bougueresco" se tornou sinônimo pejorativo de estilos similares ao seu, embora reconhecessem que ele deveria no futuro ser lembrado como um dos maiores pintores franceses do século XIX. Passou a ser considerado um tradicionalista antiquado, de escassa originalidade e de talento medíocre, cujo pontificado nas academias minava a criatividade e a liberdade de expressão dos alunos. 

(...) Então sua obra caiu no esquecimento, e durante décadas foi considerada fútil, vulgar e irrecuperável. Suas pinturas desapareceram do mercado e era difícil ouvir alguma referência a ele até mesmo nas escolas de arte, a não ser como um exemplo do que não fazer.[106] Lionello Venturi chegou a afirmar que a obra de Bouguereau sequer merecia ser considerada "arte". Mas é interessante assinalar que ao longo dos anos alguns artistas importantes da vanguarda - poucos, é verdade - deram opiniões positivas. Van Gogh desejava pintar tão corretamente como ele, Salvador Dali o chamou de génio e Philip Guston disse que "ele realmente sabia pintar". Andy Warhol possuía uma de suas obras.

(...) Para Hjort e Laver, ele é um artista sobretudo kitsch, o que equivale para eles dizer que sua arte é de má qualidade: 

"O que faz Bouguereau ser kitsch? O que torna sua arte ruim? De um ponto de vista estético, é a 'perfeição perversa' que ofende e enjoa, é a ausência de toda ambiguidade ou dissonância interpretativa de parte do observador, mas, ainda mais importante, é a manipulação da emoção, a evocação de emoções 'baratas', 'falsas', que torna sua perfeição perversa.... 

(...) Apesar das controvérsias, já foi aberto um considerável espaço para ele. O Grove dictionary of art, publicado pela Universidade de Oxford, o credita como um dos grandes pintores do século XIX, e depois de tantos anos escondido em depósitos, está de volta às galerias de alguns dos mais importantes museus do mundo, como o Museu Metropolitano de Nova Iorque, o Museu de Belas Artes de Boston, o Instituto de Arte de Chicago e o Museu d'Orsay. Nos Estados Unidos é particularmente apreciado, fazendo parte do acervo de mais de 70 museus e tendo suas obras entre as mais reproduzidas em cartões para o Valentine's Day (o Dia dos Namorados norteamericano). Suas pinturas são extensivamente copiadas em ateliês comerciais de várias partes do mundo, muitos localizados no oriente, que as revendem via internet; tem sido objeto de vários estudos especializados e suas obras originais já atingem novamente elevadas cotações no mercado. Em 2000 a tela Caridade alcançou os 3,52 milhões de dólares em um leilão na Christie's.

 

Distinções

Os esforços artísticos de Bouguereau foram amplamente reconhecidos em sua vida, obtendo grande número de distinções oficiais.

 

 

 

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eternidade

Eternidade

  

Eternidade é um conceito filosófico que se refere, no sentido comum, ao tempo infinito. No sentido filosófico, refere-se a algo que não pode ser medido pelo tempo, porquanto o transcende. Nesse sentido, eterno é algo sem começo e nem fim. Um exemplo clássico do ser eterno é o Deus judaico-cristão.

 

Etimologia

A palavra 'eternidade' vem do latim aeturnus, termo que, por sua vez, é uma derivação de aevum, que significa 'era' ou 'tempo'.

 

O termo costuma ser entendido em dois sentidos. No sentido comum, significa ‘sempiternidade’ (do latim sempiternus,a,um: 'perpétuo, eterno, imortal'), isto é, duração ou tempo infinito. Já no sentido mais usual entre os filósofos, corresponde a atemporalidade, ou seja, a algo que não pode ser medido pelo tempo, pois o transcende.

 

 

 

 

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sempiternidade?homografia=0

sempiternidade - nome feminino

 

duração sem princípio nem fim

Do latim sempiternitāte-, «idem»

 

 

 

 

Glosas

 

                                0 Eugen_von_Blaas_-_The_Spider_and_the_Fly_-_1889.

                                                                A Aranha e a Mosca (1889)    (1)

 

 

 

 

 

                                              Tu não me faças negaças

                                              quando te cruzares comigo…

                                              Por mais negaças que faças

                                              não quero nada contigo.

 

                                                                     Celso Sacavém

 

               

 

                                              Tens um péssimo costume:

                                              o de fazer ameaças!

                                              Para me fazeres ciúme

                                              tu não me faças negaças.

 

 

                                              Por isso presta atenção

                                              e ouve bem o que te digo:

                                              leva o coração na mão

                                              quando te cruzares comigo…

 

 

                                              Essas tuas atitudes,

                                              esses teus ares e chalaças

                                              dão-te esses modos tão rudes

                                              por mais negaças que faças.

 

 

                                              Uma certeza te dou

                                              ao falar-te como amigo:

                                              entre nós tudo acabou…

                                              Não quero nada contigo.                                    

 

 

 

 

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                           0 800px-1846-single-bachelor-solitude.jpg

                                                         Solteiro (1846)    (2)

 

 

 

 

 

1 - A Aranha e a Mosca (1889)

https://en.wikipedia.org/wiki/Eugene_de_Blaas#/media/File:Eugen_von_Blaas_-_The_Spider_and_the_Fly_-_1889.jpg

Obra de Eugene de Blaas 

https://www.dorotheum.com/en/about-us/press/press-archive/presse-detail/archive/triumph-fuer-waldmueller-eine-halbe-million-euro-fuer-einen-hut-fulminante-auktion-mit-gemaelden.html

 

 

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Eugene_de_Blaas

Eugene de Blaas (1843 -1932)

 

Eugene de Blaas, também conhecido como Eugene von Blaas ou Eugenio Blaas (1843 -1932), foi um pintor italiano da escola conhecida como Classicismo académico.

 

Biografia

Ele nasceu em Albano, perto de Roma. O seu pai Karl, também um pintor, foi seu professor. A família mudou-se para Veneza quando Karl se tornou professor na Academia de Veneza. Muitas vezes pintou cenas em Veneza, mas também retratos e pinturas religiosas.

(...) Suas imagens coloridas representam a sociedade veneziana naquele período, como por exemplo, na obra Varanda (1877), comparáveis a pastéis delicados e gravuras dos pátios, varanda e canais de Veneza moderna.

 

 

 

 

2 - Solteiro (1846)

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Marriage?uselang=pt#/media/File:1846-single-bachelor-solitude.jpg

"Solteiro", uma pintura de 1846 que mostra um homem junto a uma fogueira e lamentando o seu estado civil. Segura na mão uma outra pintura de um homem com a sua esposa e três filhos

Assinatura do artista: "Anderson Honeydew, New-York".

http://memory.loc.gov/master/pnp/cph/3g00000/3g06000/3g06000/3g06020u.tif

No site da Livraria do Congresso Americano.

 

 

 

 

https://pt.wiktionary.org/wiki/nega%C3%A7a

Negaça - Substantivo

 

chamariz

engodo

 

Etimologia

Derivado do verbo negacear.

 

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rude

Rude

 

Rude pode referir-se a:

Caraterística notável a um determinado comportamento indecente.

 

 

 

 

Líricas

 

                            0 Mastino_sylwetka.jpg

                                                                 Mastim Napolitano    (1) 

 

 

 

 

                                              Quem tem medo compra um cão

                                              sempre assim ouvi dizer.

                                              P´ra guardar meu coração

                                              o que é qu´eu hei-de fazer?

 

  

                                              Concerteza que não vou

                                              comprar um lindo mastim!

                                              Se o comprasse quem olhava

                                              um bocadinho p´ra mim?

 

 

                                              Eu não quero meter medo

                                              a ninguém, seja a quem for;

                                              antes quero, p´lo contrário,

                                              encontrar um terno amor.

 

 

                                              Quero ter, ao pé de mim,

                                              alguém sincero e amigo

                                              para enfrentar a vida

                                              e viver, sonhar comigo.

 

                              

 

 

 

            Celso Sacavém        celsosacavem.blogs.sapo.pt       @celso.pereira.525

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                                0 Edmund_Blair_Leighton_-_My_Next-Door_Neighbour.j

                                                    O meu Vizinho (1894)    (2)

 

 

 

 

1 - Mastim Napolitano

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mastim_napolitano#/media/File:Mastino_sylwetka.jpg

Mastino Napolitano. Fotografia de Ewa Ziemska - 2010.

 

 

 

 

2 - O meu Vizinho (1894)

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Men_and_women_in_art?uselang=pt#/media/File:Edmund_Blair_Leighton_-_My_Next-Door_Neighbour.jpg

Obra de Edmund Blair Leighton

http://www.topofart.com/artists/Edmund_Blair_Leighton/art_reproduction/6157/My_Next-Door_Neighbour.php

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmund_Leighton?uselang=pt

Edmund Leighton

 

Edmund Blair Leighton (1853 -1922) foi um pintor britânico associado ao Romantismo e a Irmandade Pré-Rafaelita.

 

 

 

Sonetos

 

                        0 Leighton,_Edmund_Blair_-_Off_-_1899.jpg

                             Uma proposta de casamento falhado (1899)    (1)

 

 

 

 

 

                                                      Rompimento

 

 

 

                                              Agora que rompemos, meu amor,

                                              recordo os dias belos que passámos,

                                              as juras de ternura que trocámos,

                                              os beijos que nos demos com ardor!

 

 

                                              Recordo tudo quanto segredámos

                                              nesses momentos d´êxtase e calor!

                                              E ao recordar eu sinto um amargor

                                              por ver por terra a vida que criámos!

 

 

                                              Pediste que te mande o que me deste!

                                              Aí te mando as cartas que escreveste

                                              cheias d´ansiedade e d´emoção!

 

  

                                              Não me dês nada, amor, do que te dei!

                                              Nada quero.  Mas grato ficarei

                                              se devolveres meu pobre coração!

 

 

 

                                                                                       Lisboa, 18/08/63

 

 

 

 

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                                   0 Corazon-.jpg

 

                                                             Coração    (2)

 

 

 

 

 

1 - Uma proposta de casamento falhado (1899)

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Failed_love#/media/File:Leighton,_Edmund_Blair_-_Off_-_1899.jpg

Representação da sequência de uma proposta de casamento falhado, situado no final do séc. XVIII

Edmund Leighton – 1899.

http://fineartamerica.com/featured/off-edmund-blair-leighton.html

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmund_Leighton

Edmund Leighton

 

Edmund Blair Leighton (1853-1922) foi um pintor britânico associado ao Romantismo e a Irmandade Pré-Rafaelita.

 

Biografia

Leighton era filho do artista Charles Blair Leighton. Estudou na University College School, antes de entrar para a Royal Academy. Contraiu matrimónio com Katherine Nash em 1885 e tiveram um casal de filhos. Teve uma exibição anual na Royal Academy entre 1878 e 1920.

 

Temas

Leighton era um pintor histórico, focando principalmente na época medieval.

 

 

 

 

2 - coração

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Heart_symbols#/media/File:Corazon-.jpg

Criação de Ilhh (2012).

 

 

Sonetos

 

           0 As08-16-2593_crop.png

                      A primeira imagem da Terra tirada por seres humanos.    (1)

 

 

 

 

                                              Quem foi que fez o Sol que nos aquece?

                                              Quem foi que fez a Terra em que vivemos?

                                              Quem fez o Mar? A água que bebemos!?

                                              Tudo o que se conhece e desconhece?

 

 

                                              Quem foi que ao homem deu esta benesse

                                              tão grande de ter alma com que vemos.

                                              Além de tudo aquilo que entendemos

                                              e a razão ainda não conhece?

 

 

                                              Quem foi que fez milhões de coisas belas?

                                              As aves que volitam… As estrelas

                                              que brilham luminosas lá nos Céus?

 

 

                                              Quem tudo fez com tanto, tanto amor?

                                              O Sábio Omnipotente – o Criador!

                                              O Guia, o Mestre, a Luz, a Vida: DEUS!

 

 

 

 

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0 Arnold_Böcklin_-_Gottvater_zeigt_Adam_das_Parad 0 Arnold_Böcklin_(1827_-_1901),_Selbstportrait_(1

  Deus e Adão no Paraíso (1884)   (2)        Autoretrato de Arnold Böcklin(1873)   (3)

 

 

 

 

 

1 - A primeira imagem da Terra tirada por seres humanos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra#/media/File:As08-16-2593_crop.png

A Terra vista a uma distância de cerca de 30,000 km.

A Terra possui a maior parte de sua superfície coberta por água em estado líquido. Fotografia do planeta feita pela tripulação da Apollo 8 - NASA (provavelmente por Bill Anders) em 1968. (fotografia de alta resolução: 411 kB).

Esta imagem foi catalogada por Centro Espacial Johnson dos Estados Unidos da América para a Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA), sobre o código ID: AS08-16-2593. 

http://history.nasa.gov/ap08fj/photos/a/as08-16-2593hr.jpg

 

 

 

 

 

2 - Deus e Adão no Paraíso (1884)

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:God_the_Father#/media/File:Arnold_B%C3%B6cklin_-_Gottvater_zeigt_Adam_das_Paradies_(ca.1884).jpg

Obra do pintor Arnold Böcklin (1884).

 

 

 

3 - Autoretrato de Arnold Böcklin(1873)

https://en.wikipedia.org/wiki/Arnold_B%C3%B6cklin#/media/File:Arnold_B%C3%B6cklin_(1827_-_1901),_Selbstportrait_(1873).jpg

Arnold Böcklin (1827 - 1901)

http://www.reproarte.com/Kunstwerke/Arnold_Böcklin/Selbstporträt/902.html

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arnold_B%C3%B6cklin

Arnold Böcklin

Arnold Böcklin (Basileia, 1827 - Fiesole, 1901) foi um pintor suíço enquadrado no movimento artístico do Simbolismo, de grande influência no posterior movimento surrealista.

 

 

 

 

 

Sonetos

 

   0 800px-Pôr_do_Sol_em_Évora_(3792900197).jpg

                                                                                    Pôr do Sol em Évora    (1) 

 

 

 

 

 

                                                            Crepúsculo

 

 

 

                                              Vai pôr-se o Sol… E agora a viração

                                              é mais suave e doce, é mais serena!

                                              Pela quebrada ecoa a branda avena

                                              carpindo tristemente uma canção…

 

 

                                              Reboa agora o sino duma igreja

                                              anunciando a hora das trindades…

                                              o momento divino das saudades

                                              que sobre nós tão ternamente adeja!...

 

 

                                              No Céu mil novos sóis apareceram.

                                              Ao longe vê-se a estrada que conduz

                                              a nossa alma à estrada da Verdade!

 

 

                                              Tudo mudou. As aves recolheram.

                                              E sobre a Terra paira agora a Luz

                                              feita de amor, de paz e de humildade…

 

 

 

 

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          0 estrad 800px-12-05-28-guenterberg-by-RalfR-16.jp

                                                         Uma estrada      (2)

 

 

 

 

 

1 -  Pôr do Sol em Évora

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Sunsets_of_Portugal?uselang=pt#/media/File:P%C3%B4r_do_Sol_em_%C3%89vora_(3792900197).jpg

Pôr do Sol em Évora. Fotografia de Tiago J. G. Fernandes em 2009.

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia

Dia

 

Um dia é uma unidade de tempo geralmente definida como um intervalo igual a 24 horas. O termo também é utilizado para referir-se à parte do dia total na qual uma dada localidade encontra-se iluminada pela luz do sol. 

 

Dia natural

Tempo em que o Sol pode ser observado, a partir da Terra, acima da linha do horizonte.

Período compreendido entre ao Nascer do Sol e o Pôr do Sol.

É o oposto da Noite.

É dividido em Manhã e Tarde.

Usa-se o adjetivo diurno, para se referir a ele.

 

 

 

 

2 - Uma estrada

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Category:Quality_images&filefrom=11-07-29-helsinki-by-RalfR-199.jpg%0A11-07-29-helsinki-by-RalfR-199.jpg#/media/File:12-05-28-guenterberg-by-RalfR-16.jpg

Uma estrada em Günterberg, na Alemanha.

Ralf Roletschek (talk) - Autoria de fahrradmonteur.de 

 

 

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