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Celso Sacavém

Os meus pensamentos

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Líricas

 

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                 Obra Entrada de Amadeo de Souza-Cardoso (1887–1918)      (1)

 

 

 

 

 

                                                SINFONIA INCOMPLETA

 

 

                                              Tenho saudade da vida

                                              que julgo perdida,

                                              vivida no medo!

                                              Tenho pena de mim mesmo

                                              por viver a vida a esmo

                                              e a ter largado tão cedo!

 

 

                                              Eu não vivo… E não morri!

                                              Sei apenas que nasci,

                                              que vim ao mundo, a sorrir…

                                              Não chorei quando nasci!

                                              Nem mesmo quando perdi

                                              a vida que vi fugir!

 

 

                                              Não vivo! Nunca vivi…

                                              Sei apenas que nasci,

                                              que vim ao mundo, a cantar…

                                              Eu cantei quando nasci!...

                                              Cantei… Falei… E sorri…

                                              Por isso não sei chorar!

 

 

                                              Apesar de ter nascido,

                                              não vivi!

                                              E por eu não ter vivido…

                                              Não morri!

                                              Vim ao mundo… E pelo mundo

                                              lutei!

                                              Vivi só, meditabundo…

                                              Vivi triste e moribundo,

                                              pois na vida que vivi

                                              nunca chorei nem sofri!...

                                              Apenas cantei… sorri…

                                              passei… e…

 

                                                                                                     30/11/47

 

 

 

            Celso Sacavém        celsosacavem.blogs.sapo.pt      @celso.pereira.525

            www.facebook.com/celso.pereira.3 www.instagram.com/celsopereira525

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0 800px-Amadeo_de_Souza_Cardoso_no_seu_atelier.jpg      0 Amadeo_de_Souza_Cardoso_with_tie_and_looking_rig

              Atelier em Paris (1912)   (2)                   Amadeo de Souza-Cardoso (1918)     (3)

 

 

 

 

1 - Obra Entrada de Amadeo de Souza-Cardoso (1887–1918)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Amadeo_de_Souza-Cardoso#/media/File:Cardoso01.jpg

Obra de título desconhecido - Entrada, criada a 1 de janeiro de 1917, óleo sobre tela com colagem de materiais inertes (areia e cola?) e outros materiais (três espelhos e um pedaço de madeira/tartaruga), 93,5 x 75,5 cm. No Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

 

2 - Atelier em Paris (1912)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Amadeo_de_Souza-Cardoso#/media/File:Amadeo_de_Souza_Cardoso_no_seu_atelier.jpg

Amadeo no seu atelier, Rue Ernest Cresson, 20, Paris, 1912.

Digitalização da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian. 

 

 

 

3 - Amadeo de Souza-Cardoso (1918)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Amadeo_de_Souza-Cardoso#/media/File:Amadeo_de_Souza_Cardoso_with_tie_and_looking_right.jpg

Autor desconhecido. Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Amadeo_de_Souza-Cardoso

 

Nascimento: 14 de novembro de 1887 - Manhufe, freguesia de Mancelos

Morte:  25 de outubro de 1918 (30 anos) - Espinho

Nacionalidade: portuguesa

 

Principais trabalhos:  

Les Cavaliers (1913)

Cozinha da Casa de Manhufe (1913)

Entrada (c. 1917)

Coty (c. 1917)

 

Movimento(s): Modernismo

 

 

 

Amadeo de Souza-Cardoso (Manhufe, freguesia de Mancelos, Amarante, 14 de novembro de 1887 – Espinho, 25 de outubro de 1918) foi um pintor português

Pertencente à primeira geração de pintores modernistas portugueses, Amadeo de Souza-Cardoso destaca-se entre todos eles pela qualidade excecional da sua obra e pelo diálogo que estabeleceu com as vanguardas históricas do início do século XX. "O artista desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com os artistas do seu tempo". A sua pintura articula-se de modo aberto com movimentos como o cubismo, o futurismo ou o expressionismo, atingindo em muitos momentos – e de modo sustentado na produção dos últimos anos –, um nível em tudo equiparável à produção de topo da arte internacional sua contemporânea

A morte aos 30 anos de idade irá ditar o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e de uma carreira internacional promissora mas ainda em fase de afirmação. Amadeo ficaria longamente esquecido,dentro e, sobretudo, fora de Portugal: "O silêncio que durante longos anos cobriu com um espesso manto a visibilidade interpretativa da sua obra […], e que foi também o silêncio de Portugal como país, não permitiu a atualização histórica internacional do artista"; e "só muito recentemente Amadeo de Souza-Cardoso começou o seu caminho de reconhecimento historiográfico".

 

Biografia 

Filho de Emília Cândida Ferreira Cardoso e José Emygdio de Sousa Cardoso, Amadeo de Souza-Cardoso nasce em Manhufe, Amarante, "numa família de boa burguesia rural, poderosa e de muita religião, entre nove irmãos […]. Seu pai era uma espécie de «gentleman farmer», vinhateiro rico, de espírito prático, desejando educar eficientemente os filhos". 

Estuda no Liceu Nacional de Amarante e mais tarde em Coimbra. Em 1905 ingressa no curso preparatório de desenho na Academia Real de Belas-Artes, em Lisboa; e em Novembro do ano seguinte (no dia em que celebra o seu 19º aniversário), parte para Paris, instalando-se no bairro de Montparnasse, famoso ponto de encontro de intelectuais e artistas, onde irá viver todos os anos de permanência nessa cidade (1907 – 1914). Ao longo desses 8 anos regressará, no entanto, diversas vezes a Portugal para estadias mais ou menos breves. 

Estabelece contacto com outros artistas portugueses a residir em Paris, entre os quais Francisco Smith, Eduardo Viana e Emmerico Nunes. Frequenta os ateliês de Godefroy e Freynet com o intuito de preparar a admissão ao curso de arquitetura, projeto que abraça, em parte para responder às expectativas familiares, mas que acaba por abandonar. Publica caricaturas em periódicos portugueses como O Primeiro de Janeiro (1907) e a Ilustração Popular (1908 – 1909). 

O início da sua atividade como pintor data provavelmente de 1907. No ano seguinte conhece Lucie Meynardi Pecetto, com quem viria a casar-se sete anos mais tarde. Em 1909 frequenta as aulas do pintor Anglada-Camarasa na Académie Vitti e mais tarde as Academias Livres. 

Em 1910 estabelece uma forte e duradoura relação de amizade com Amedeo Modigliani, Constantin Brancusi e Alexander Archipenko. Na correspondência para Portugal Amadeo refere-se à sua fascinação por aquilo que denomina por "pintores primitivos" (e pela escultura e arquitetura da cristandade); por outro lado, revela um sentimento artístico já amadurecido, manifestando a sua oposição ao naturalismo em favor de opções plásticas exigentes, distanciadas de pressupostos académicos. 

No dia 5 de Março de 1911 Modigliani e Amadeo inauguram uma exposição no ateliê do pintor português, perto do Quai d'Orsay, cujo livro de honra é assinado por Picasso, Apollinaire, Max Jacob e Derain; e no mês seguinte Amadeo participa pela primeira vez numa grande mostra internacional, o XXVII Salon des Independents, exposição determinante e que dá grande visibilidade ao cubismo. Nesse mesmo ano conhece Sonia e Robert Delaunay e, através deles, Apollinaire, Picabia, Chagall, Boccioni, Klee, Franz Marc e Auguste Macke. 

Em 1912 publica o álbum XX Dessins, onde reúne desenhos desse ano e do anterior que terão grande divulgação na imprensa francesa e portuguesa; participa no X Salon d’Automne (Grand Palais), encerrando o seu curto ciclo expositivo em Paris. É um dos artistas representados no famoso Armory Show (International Exhibition of Modern Art), Nova Iorque, 1913, exposição que marca a grande viragem modernista no meio artístico norte-americano: atento ao panorama artístico alemão, expõe também em Berlim, no Erster Deutscher Herbstsalon (Primeiro Salão de Outono Alemão), organizado pela Galeria Der Sturm, em conjunto com artistas maioritariamente associados à "novíssima pintura", dos futuristas italianos ao grupo do Blaue Reiter e ao casal Delaunay. Em 1914 tem trabalhos expostos em Londres e nos Estados Unidos da América (Exhibition of Painting and Sculpture in the "Modern Spirit", Milwaukee Art Society). O seu espírito instável fá-lo passar por "momentos torturantes de ansiedade". 

Durante uma viagem a Barcelona toma conhecimento do início da 1ª Guerra Mundial (1914-1918). Regressa a Portugal e a 26 de Setembro casa-se com Lucie Pecetto, fixando residência na Casa do Ribeiro, em Manhufe, que o seu pai mandara construir. No ano seguinte reencontra Sonia e Robert Delaunay, que entretanto haviam fixado residência em Vila do Conde. Amadeo ocupa o seu tempo entre a pintura, a caça, os passeios a cavalo, mas o seu isolamento começa a tornar-se difícil de suportar e faz planos para regressar a Paris. 1916 fica marcado por várias tentativas falhadas de participação em exposições internacionais; nesse mesmo ano publica o álbum 12 Reproductions e realiza exposições individuais no Porto (Salão de Festas do Jardim Passos Manuel) e em Lisboa (Liga Naval, Palácio do Calhariz). O acolhimento crítico, "num país pouco acostumado a exposições deste género, em que o modelo dos salons ainda vigorava, foi sobretudo marcado pela surpresa"; a articulação da montagem, "as obras exibidas e a internacionalização do artista português causaram espanto generalizado". Durante a estadia em Lisboa convive com Almada Negreiros e com membros do grupo Orpheu

Em 1917 envolve-se em projetos editoriais com Almada Negreiros, publica dois trabalhos na revista Portugal Futurista (Farol; Cabeça Negra), mas acima de tudo trabalha intensamente, aprofundando o seu universo pictórico, que expande em novas direções. Anseia no entanto pelo regresso a Paris, o que não viria a acontecer. No ano seguinte contrai uma doença de pele que lhe afeta o rosto e as mãos e o impede de trabalhar. Abandona Manhufe e refugia-se em Espinho, na tentativa vã de escapar à epidemia de Gripe Espanhola que se espalha rapidamente e à qual viria a sucumbir em 25 de Outubro desse mesmo ano.

 

Obra

O ano seguinte à sua partida para Paris "terá sido um ano de choque", um ano de revelação, marcando o início da sua atividade como pintor, embora as suas primeiras pinturas conhecidas datem dos anos imediatos; trata-se ainda de exercícios, de escala reduzida, "pequenas «pochades» de impressão, como toda a gente fazia", onde representa interiores de cafés ou paisagens de forma mais ou menos convencional. Se muitas destas obras revelam hesitação, a lição de Cézanne informa já algumas das paisagens mais bem-sucedidas. 

(...) O diálogo com as vanguardas do início do Século XX será o grande motor por detrás da obra de Amadeo, mas há fatores determinantes de outra de outra ordem e que se prendem com um universo temático marcado por referentes pessoais. Numa carta dirigida à sua mãe em 1908, o pintor lamentava a ausência de "um forte meio da arte" na sua terra natal, mas queixava-se igualmente da "atmosfera parda" ou o "sol anémico" de Paris, que contrapunha ao seu "Portugal prodigioso, país supremo para artistas". Segundo Helena Freitas, "o alimento espiritual de Amadeo é também a iconografia da sua terra e das suas tipologias". Na sua pintura encontramos alusões a essa luz diferente; ao sol, às montanhas, às azenhas e moinhos; aos alvos das barracas de feira; às canções, bonecos e figuras populares… (veja-se, por exemplo, Canção Popular - a Russa e o Figaro, c. 1916).

 

 

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