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Celso Sacavém

Os meus pensamentos

Os meus pensamentos

Da História de Portugal

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             Goa por Victorcouto (1509)   (1)                                Capela de Santa Catarina   (2) 

 

 

 

 

 

                                                               GOA

 

 

 

                                              Eu canto Goa, a Roma oriental!

                                              Essa lendária Goa tão distante!

                                              Província lusitana, Portugal.

                                              Portugal dilatado e confiante!

                                              Eu canto Goa! A Goa Portuguesa

                                              que sofre e geme sob a garra hindu!

                                              A vítima invejada da vileza,

                                              do falso pacifismo de Nehru.

                                              Cidade florescente, ó Goa amada,

                                              imaculado cofre de virtudes,

                                              estás sendo pelos ímpios destroçada

                                              e sofres! Sofres, Goa, golpes rudes!

                                              Terra de São Francisco Xavier

                                              não duvides… Aguarda paciente!

                                              Havemos de voltar ao oriente

                                              e libertar-te-emos! Deus o quer!

                                              Sim, Deus o quer! E tu bem sabes, Goa,

                                              que vives bem no nosso coração!

                                              Não te esquecemos! Não te esquecerão

                                              nem Macau, nem Luanda, nem Lisboa!

                                              João de Brito, o herói da Cristandade

                                              vela por ti como Albuquerque outrora!

                                              Não vem já longe! Ó Goa, aquela hora,

                                              para gritares a tua liberdade!

                                              Espera, Goa! Espera paciente

                                              esse instante sublime e triunfal!

                                              Tu és o Portugal do Oriente,

                                              Portugal de Camões, Pátria Imortal!

                                              Os ímpios que te causam tanto dano

                                              hão-de morder o chão p´lo que fizeram!

                                              Hão-de sentir o peito Lusitano

                                              A QUEM NEPTUNO E MARTE OBEDECERAM.

 

 

                                                                              Agosto de 1951

 

 

 

 

        Celso Sacavém           celsosacavem.blogs.sapo.pt          @celso.pereira.525

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  Afonso de Albuquerque (1453-1515)  (3)        São Francisco Xavier (1506 -1552)   (4)

 

 

 

 

 

 

1 - Goa por Victorcouto (1509)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Goa#/media/File:Goa_Braun_Hogenberg.jpg

Vista de Goa em 1509, obra de Victorcouto no Atlas Braun e Hogenberg de 1600.

 

  

https://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Goa

Goa é um dos 28 estados da República da Índia. Localiza-se na costa ocidental da Índia, sendo limitado a norte por Maharashtra, a sul e leste por Karnataka e a oeste pelo Mar da Arábia. É o menor estado indiano em termos de área e o quarto menor em termos de população.

Com a chegada dos portugueses no princípio do séc. XVI Goa torna-se um território ultramarino de Portugal, estatuto esse que manteria durante cerca de 450 anos até ser tomada militarmente pela União Indiana em 1961. Da presença portuguesa ficou um legado histórico que inclui arquitectura religiosa reconhecida pela UNESCO como Património Mundial. Pangim é a capital e Vasco da Gama a maior cidade

(...) Goa foi cobiçada por ser o melhor porto comercial da região.  

(...) Influenciada pela presença portuguesa por mais de quatrocentos anos.

 

 

 

 

 

2 - Capela de Santa Catarina

https://pt.wikipedia.org/wiki/Goa#/media/File:Churcholdgoa_(64).JPG

Capela de Santa Catarina, erguida durante a ocupação portuguesa, em Goa Velha.

Fotografia de Soman.

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_de_Santa_Catarina_(Goa)

Capela de Santa Catarina (Goa)

 

A Capela de Santa Catarina é uma capela dedicada à Catarina de Alexandria, situada na cidade de Goa Velha, pertencente ao conjunto de Igrejas e Conventos de Goa. Foi a primeira construção cristã na Índia.

 

História

Em 1510, as tropas de Afonso de Albuquerque penetraram na cidade de Goa. Uma capela foi erguida junto à porta da muralha de Goa muçulmana, por onde os portugueses invadiram. Essa capela situava-se perto do local do Hospital Real, que se erguia a norte do Convento de São Francisco próximo do Arsenal e que não sobreviveu aos nossos dias, ou seja, respectivamente entre o local de armas e o centro da vida interior e mística. 

Era uma modesta construção de taipa e de cobertura de palha, que seguiu aos planos deixados por Afonso de Albuquerque e executados por Diogo Fernandes. Foi reconstruída em 1550 por ordem do governador Jorge Cabral. Em 1607, a capela voltou a passar por uma grande reforma. 

Durante o século XIX, esteve sob os cuidados dos Franciscanos, antes de retornar ao clero secular e à administração da Arquidiocese de Goa e Damão.

Por ocasião da exposição das relíquias de São Francisco Xavier em 1952, foi o primeiro edifício a sofrer intervenção pelo arquiteto Baltasar de Castro, funcionário da Direção‑Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, numa grande operação de restauro e saneamento de Goa Velha.

 

 

 

 

A arquitectura religiosa de Goa de influência portuguesa foi reconhecida pela UNESCO como Património Mundial em 1986.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Igrejas_e_Conventos_de_Goa

Igrejas e Conventos de Velha Goa

 

Igrejas e Conventos de Velha Goa é o nome dado pela UNESCO para um conjunto de monumentos religiosos localizado em Goa Velha, no estado de Goa, na Índia, declarado Património Mundial em 1986.

 

Goa foi a antiga capital das índias portuguesas e um centro de evangelização da Ásia a partir do século XVI. As justificativas de inclusão dos monumentos religiosos de Goa na lista de Património Mundial são:

1) a influência dos monumentos na difusão de formas artísticas ocidentais - os estilos manuelino, maneirista e barroco - por toda a Ásia onde se estabeleceram missões católicas; 

2) o valor do conjunto de monumentos de Goa como exemplo excepcional que ilustra o trabalho de evangelização e

3) o valor específico da presença na Basílica do Bom Jesus da tumba de Francisco Xavier, que ilustra um evento de importância mundial: a influência da religião católica na Ásia na Era Moderna.

 

 

 

 

 

 

3 - Afonso de Albuquerque (1453-1515)

https://en.wikipedia.org/wiki/Afonso_de_Albuquerque#/media/File:Retrato_de_Afonso_de_Albuquerque_(ap%C3%B3s_1545)_-_Autor_desconhecido.png

Retrato de Afonso de Albuquerque, vice-rei da Índia Português (depois de 1545), por autor desconhecido, quadro no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_de_Albuquerque

Afonso de Albuquerque (1453-1515)

 

Afonso de Albuquerque (Alhandra, 1453 - Goa, 1515), nomeado O Grande, o César do Oriente, o Leão dos Mares, o Terribil e o Marte Português, foi um fidalgo, militar e o 2.º Vice-Rei e Governador da Índia Portuguesa, cujas ações militares e políticas foram determinantes para o estabelecimento do Império Português no oceano Índico. 

Afonso de Albuquerque é reconhecido como um génio militar pelo sucesso da sua estratégia de expansão: procurou fechar todas as passagens navais para o Índico – no Atlântico, Mar Vermelho, Golfo Pérsico e oceano Pacífico – construindo uma cadeia de fortalezas em pontos-chave para transformar este oceano num mare clausum português, sobrepondo-se ao poder dos otomanos, árabes e seus aliados hindus. 

Destacou-se tanto pela ferocidade em batalha como pelos muitos contactos diplomáticos que estabeleceu. Nomeado governador após uma longa carreira militar no Norte de África, em apenas seis anos – os últimos da sua vida – com uma força nunca superior a quatro mil homens sucedeu a estabelecer a capital do Estado Português da Índia em Goa; conquistar Malaca, ponto mais oriental do comércio Índico; chegar às ambicionadas "Ilhas das especiarias", as ilhas Molucas; dominar Ormuz, entrada do Golfo Pérsico; e estabelecer contactos diplomáticos com numerosos reinos da Índia, Etiópia, Reino do Sião, Pérsia e até a China. Áden seria o único ponto estratégico cujo domínio falhou, embora tenha liderado a primeira frota europeia a navegar no Mar Vermelho, a montante do estreito Bab-el-Mandeb. Pouco antes da sua morte foi agraciado com o título de vice-rei e "Duque de Goa" pelo Rei D. Manuel I, que nunca usufruiu, no que foi o primeiro português a receber um título de além-mar e o primeiro duque nascido fora da família real. Foi o segundo europeu a fundar uma cidade na Ásia, o primeiro foi Alexandre o Grande.

  

Administração e diplomacia em Goa 1514

Em 1514 na Índia Afonso de Albuquerque dedicou-se à administração e diplomacia, a concluir a paz com Calecute, a receber embaixadas e a consolidar e embelezar Goa, estimulando os casamentos com locais. Na época poucas portuguesas chegavam ao Índico e, desde 1511 o governo português incentivou os casamentos dos seus homens com locais, numa política definida por Albuquerque. Para promover a fixação, o rei de Portugal atribuía o estatuto de homem livre e isenção de pagamento de impostos à Coroa aos então conhecidos como "casados", ou "homens casados " que se aventuravam a estabelecer-se no exterior. Com o encorajamento de Albuquerque, e apesar de grande oposição, os casamentos mistos floresceram. Frequentemente nomeou locais para cargos da administração portuguesa e não interferiu nas tradições, com excepção do "sati", a imolação das viúvas, que proibiu. 

No início de 1514 foi enviada ao Papa Leão X a embaixada faustosíssima do rei Manuel I, liderada por Tristão da Cunha, que percorreu as ruas da cidade numa extravagante procissão de animais das colónias e riquezas das Índias que impressionaram a Europa. Nesse ano, Afonso de Albuquerque enviara embaixadores ao Sultão Muzafar II de Cambaia (Guzerate), pedindo autorização para construir uma fortaleza em Diu. A missão voltou sem acordo, mas foram trocados presentes diplomáticos, incluindo um Rinoceronte-indiano. Albuquerque enviou-o ao Rei D. Manuel I, que por sua vez o enviou como presente ao Papa Leão X. Contudo morreu num naufrágio na costa italiana. Com base numa descrição escrita e num breve esboço, o pintor alemão Albrecht Dürer criou então o famoso rinoceronte de Dürer sem jamais ter visto o rinoceronte real, que foi o primeiro exemplar visto na Europa desde os tempos romanos. O seu prestígio chegara ao auge, criando as bases do Império Português no Oriente e sendo «Chamado o Grande pelas heroicas façanhas com que encheu de admiração a Europa e de pasmo e terror a Ásia».

 

 

 

 

 

4 - São Francisco Xavier (1506 -1552)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier#/media/File:Franciscus_de_Xabier.jpg

Francisco Xavier em retrato japonês do período Nanban, datado do séc. XVII.

Autor Desconhecido. Museu da cidade de Kobe.

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Xavier

São Francisco Xavier (1506 -1552)

 

São Francisco Xavier, nascido Francisco de Jasso Azpilicueta Atondo y Aznáres (1506 -1552), foi um missionário católico do padroado português e apóstolo navarro (basco-navarro). Pioneiro e co-fundador da Companhia de Jesus. A Igreja Católica Romana considera que tenha convertido mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde São Paulo, merecendo o epíteto de "Apóstolo do Oriente". Ele exerceu a sua actividade missionária no Oriente, especialmente na Índia Portuguesa e no Japão. É o padroeiro dos missionários, da Diocese de Registro (SP), também um dos padroeiros da Diocese de Macau e e co-patrono de Navarra juntamente com São Firmino de Amiens. 

Foi beatificado, com o nome Francisco de Xavier pelo Papa Paulo V a 25 de outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, a 12 de março de 1622, em simultâneo com Inácio de Loyola. Em 14 de dezembro de 1927 o Papa Pio XI proclamou Francisco Xavier, juntamente com Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeiro universal das missões. O seu dia festivo é 3 de dezembro.

 

 

Missionário do padroado português

 

Viagens de São Francisco Xavier na Ásia

Em Roma, Francisco de Xavier sente-se muito abalado pela conquista do Reino de Navarra pelo Reino de Castela. É nessa altura que Dom João III, Rei de Portugal, por intermédio do seu Embaixador Pedro Mascarenhas faz sucessivos apelos ao Papa Paulo III para que este lhe envie missionários para espalhar a fé cristã pelos territórios descobertos pelos portugueses. Dom João III é aconselhado entusiasticamente pelo director do Colégio de Santa Bárbara, Diogo de Gouveia, a chamar para os Reino de Portugal os jovens cultos e inteligentes da Companhia de Jesus e pede assim ao embaixador de Portugal em Roma que sonde o grupo. Inácio de Loyola escolhe Simão Rodrigues e Nicolau Bobadilla para essa missão, mas Bobadilla fica doente e Francisco é nomeado seu substituto e chega a Portugal em 1540. 

Francisco de Xavier parte de Lisboa para a Índia no ano seguinte, a 7 de Abril, acompanhado de outros dois jesuítas, Francisco de Mansila e Paulo Camarate. Partem a bordo da nau Santiago, uma das cinco naus da frota comandada por Martim Afonso de Sousa, que ia tomar posse do cargo de governador na Índia. 

Em Agosto ancoraram junto da ilha de Moçambique. Nessa altura do ano, os ventos adversos impediram a continuação regular da viagem, tendo a nau invernado ali durante seis meses. Francisco dedicou o seu tempo ao auxílio e tratamento dos doentes. Tendo-se feito de novo ao mar, a nau voltou a aportar em Melinde. Aí, Francisco de Xavier conseguiu de imediato converter alguns africanos, e desejou por força lá permanecer, ao que não foi autorizado por Martim Afonso de Sousa, por essa decisão ser contrária às instruções do Rei. 

A nau Santiago ancorou em Goa, a então capital do Estado Português da Índia, a 6 de Maio de 1542.

 

Goa

Sabe-se, através das cartas a Inácio de Loyola, que as primeiras impressões de Francisco Xavier sobre Goa foram muito favoráveis, tendo ficado entusiasmado com a quantidade de indianos que falavam português, com a quantidade de igrejas e de convertidos. No entanto, à medida que foi conhecendo melhor a cidade, apercebeu-se de que muitos dos convertidos praticavam ainda paralelamente cultos hindus e que muitos portugueses davam também eles mau exemplo, defendendo as virtudes cristãs mas não as praticando. Estrategicamente, decidiu assim dedicar-se numa primeira fase a reencaminhar os portugueses para a verdadeira fé, tendo só posteriormente iniciado o seu trabalho de conversão.

Quando iniciou as conversões, dedicou-se primeiramente às crianças e só depois aos adultos. Todo o tempo que lhe sobrava era dedicado a visitar as prisões, a tratar dos doentes no Hospital Real e dos leprosos no Hospital de São Lázaro. É aí que começa a escrever um catecismo que veio a ser traduzido para várias línguas asiáticas.

 

 

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Brito

João de Brito ou O São Francisco Xavier de Portugal (1647-1693)

 

João Heitor de Brito (Lisboa,1647 - Oriur, Índia,1693) foi um missionário jesuíta português e mártir, frequentemente chamado de "O Francisco Xavier Português". Foi canonizado em 22 de Junho de 1947, pelo Papa Pio XII.

 

Biografia

João de Brito nasceu na cidade de Lisboa a 1 de Março de 1647, filho de Salvador de Brito Pereira, Fidalgo da Casa Real, Alcaide-Mor de Alter do Chão e Governador do Rio de Janeiro, e de Brites Pereira. O seu pai faleceria no Rio de Janeiro a 20 de Junho de 1651, quando ele tinha apenas quatro anos. Desde cedo que, juntamente com os seus irmãos, Cristóvão e Fernão, teve ensino cristão. 

Aos 11 anos, João de Brito ficou doente com tal gravidade que, nas suas preces para recuperar a saúde, invocava São Francisco Xavier. Acreditando ter ficado bom através das suas preces, veste-se com o hábito de Santo Inácio, da Companhia de Jesus, tal como tinha prometido, durante um ano. Após o período da promessa, João de Brito revelou a sua mãe a intenção de entrar para a Companhia de Jesus Partindo, em seguida, para a casa do noviciado de Lisboa, onde passa os próximos dois anos. 

Depois de cumprido o noviciado, João de Brito parte para Évora onde, durante cinco anos, estuda Humanidades e Filosofia. No entanto, devido ao clima da cidade, adoece e muda-se para Coimbra, para o Colégio das Artes onde estuda Filosofia. É neste período da sua vida que começa a pensar em ir para uma das missões da Ásia, nomeadamente na Índia, e faz o pedido ao Padre Geral da Companhia, primeiro em 1668, e depois em 1669. Após terminar o curso de Filosofia, é nomeado para leccionar a cadeira de gramática no colégio de S. Antão (actual Hospital de S. José), em Lisboa. Entretanto, recebe a notícia de que o seu pedido para ir para a Índia tinha sido aceite. Influenciado pelo Governador-geral de Madurai, que se encontrava em Lisboa a procurar membros para a missão, João de Brito decide-se por esta. Entre 1671 e 1673 estuda Teologia, condição necessária para ser ordenado sacerdote e ir para a missão. Quando informa a sua mãe, esta tenta impedi-lo, por todos os meios, de ir, com receio de não o voltar a ver; no entanto, não o consegue pois ele tinha tomado essa decisão de acordo com os seus ideais.

 

Ida para a Índia

A 25 de Março de 1673, João de Brito embarca para Goa, Índia, onde chega a 14 de Setembro desse ano. Os primeiros tempos naquele território foram de preparação para a sua vida de missionário: dormia no chão, não comia nem carne nem peixe, apenas vegetais, fruta, arroz e leite, e poucas, ou nenhumas, condições materiais tinha à sua disposição; termina os estudos de Teologia. No início do ano seguinte, parte para Ambalacata, onde se situava um colégio de estudantes e um seminário para a formação de sacerdotes do rito sírio. Em Abril, segue para a missão de Madurai para aí ser o Superior da Comunidade.

 

Missão de Madurai

Embora lhe tenham oferecido condições para efectuar a viagem comodamente, decide ir pelo seu pé, acompanhado pelo Padre André Freire. Chegou a Colei a 30 de Julho, véspera da celebração da morte de Inácio de Loiola, 31 de Julho de 1556. 

De entre o sistema de castas da Índia, era à mais baixa — os párias -, que João de Brito se dirigia por aí ter mais amigos. Os párias eram desprezados pelas outras castas e, pelo facto de os missionários lidarem com eles, eram, também, desprezados e considerados como inimigos. Uma das maiores afrontas que algum membro de outra casta podia cometer era converter-se ou contactar com os missionários. Percebendo que a única forma de conquistar a classe mais alta, os brâmanes, eram identificar-se com eles, João de Brito começou a vestir-se como eles, deixou crescer o cabelo e aprendeu a sua língua

Até 1679, João de Brito efectuou a sua acção missionária entre Colei e Tatuancheri. Esta acção abrangeu doentes, feridos de guerra e desprotegidos. O trabalho missionário não era fácil devido às condições climáticas, inundações e chuvas torrenciais e, sobretudo, a perseguição contra os cristãos. Algumas das ajudas que prestou foram consideradas como milagres ajudando à adesão da população.  

(...) A 5 de Maio de 1686, João de Brito chega ao reino de Maravá. Devido às perseguições contra os cristãos que ali tinham lugar, há cerca de 18 anos que nenhum missionário passava por aquela região. Antes de partir, pede conselhos a um missionário que o tenta dissuadir de partir. Mesmo assim, João de Brito resolve partir. Aí, baptiza e confessa mais de 2 000 cristãos. Depois destas acções, parte para norte, acompanhado de mais cinco catequistas, e cruza-se com o chefe do exército de Maravá que os prende e tortura, obrigando-os a invocar o Deus Shiva, o que recusaram. As torturas prolongaram-se por vários dias. Seguidamente são levados à presença de um tribunal liderado por um general. Este condena-os a serem empalados e a lhes serem cortados os membros por estarem a querer divulgar uma religião diferente e a não invocarem o nome de Shiva. No entanto, a sentença acaba por ser suspensa pois chega uma carta do rei a convocar as tropas do general para lutar contra o seu cunhado. Dias depois, João de Brito e os outros catequistas são levados à presença do rei. Este pede-lhe para explicar em que consistia a fé que professava e, depois de ouvir as explicações, conclui que aquela tinha grandes virtudes e fugia do pecado. Desta forma, manda cancelar a sentença.

 

Ida a Portugal

(...) Chega a Lisboa a 8 de Setembro de 1688, 14 anos depois de ter saído. 

No seu regresso a Portugal, foi recebido por D. Pedro II, e por toda a corte. De seguida, foi visitar as casas dos jesuítas de Santarém, Coimbra, Porto e Braga, para recrutar elementos para as missões. 

 

Regresso à Índia

Em Abril de 1690, João de Brito parte, de novo, para a Índia, onde chega em Novembro. A 3 de Dezembro, antes de partir para Madurai, visita o túmulo de São Francisco Xavier celebrando o seu dia. Na presença do Padre Provincial, João de Brito consegue que o túmulo seja aberto. 

Os últimos anos de vida do Padre João de Brito são anos de evangelização, novas provações, dificuldades e perigo da sua própria vida. O rei da região perseguia-o.

 

Morte de João de Brito

As causas da morte de João de Brito devem-se ao facto de um príncipe da casa real do Maravá querer conhecer a religião cristã, sendo-lhe enviado um catequista para tal. O príncipe, que entretanto adoeceu, não estava a conseguir melhorar com os cuidados médicos da corte, e resolveu invocar o Deus dos cristãos. Acompanhado pelo catequista, foi-lhe lido o Evangelho de São João. Esta situação terá sido a origem da sua cura

O príncipe, sensibilizado pela forma como ficou curado, pediu para ser baptizado pelo Padre João de Brito. No entanto, havia o problema de ser polígamo e, de acordo com a lei da Igreja cristã, tal não era permitido. Informado, o príncipe aceitou ficar apenas com uma mulher, a primeira, não descurando as outras a quem prometeu que nada lhes faltaria, e foi baptizado. Porém, a sua mulher mais nova não gostou de ser relevada para segundo plano, e foi queixar-se ao rei do Maravá, seu tio, e aos sacerdotes. Estes, que não gostavam do Padre, pediram ao rei que chamasse o príncipe que, entretanto, se tinha convertido à religião cristã. Ao saber disto, o rei ficou furioso, mandou destruir tudo o que fosse dos cristãos, e enviou soldados para prender João de Brito, que se encontrava em Muni. 

A 8 de Janeiro de 1693, João de Brito é preso, e espancado, juntamente com um jovem e um brâmane cristão. Seguidamente, atado a um cavalo, depois de percorrer um longo caminho a pé, e de ser insultado pelo povo, chegam à capital a 11 de Janeiro e são colocados numa prisão apenas alimentados com uma pequena refeição de leite por dia. O príncipe tentou interceder a favor de João de Brito, mas não o conseguiu. É levado para Oriur, onde chegou no dia 31 de Janeiro. A 4 de Fevereiro, o rei manda executá-lo, por decapitação e, posteriormente, desmembrado. Depois de saberem da notícia da sua morte, os Padres dirigiram-se para o local da sua execução para recolher o restava do seu corpo e demais objectos pessoais, e mesmo a acha com que foi decapitado. Esta foi enviada para Portugal e entregue ao rei D. Pedro II. A notícia do martírio foi recebida como uma “boa-nova” dado tratar-se de alguém considerado “santo”. Após a morte de João de Brito, o local onde foi executado passou a ser um lugar de peregrinação. A notícia da sua morte fez aumentar o número daqueles que queriam aderir à sua religião na região de Madurai. Também a notícia de milagres devido ao Padre João de Brito começou a aumentar.

 

Processo de beatificação

A morte e o relato de milagres de João de Brito, deram início a um processo de beatificação. O processo foi iniciado pelo bispo de Meliapor. (...) Muitos outros bispos e o próprio D. Pedro II enviariam pedidos à Santa Sé pedindo a sua “glorificação”. 

No entanto, o processo ficaria estagnado dado o início das perseguições à Companhia de Jesus. (...) Só no século seguinte o assunto seria retomado, no pontificado do Papa Pio IX. 

 

Canonização

(...) A 14 de Maio de 1982, aquando da Eucaristia celebrada pelo Papa João Paulo II no Parque Eduardo VII, em Lisboa, aquele disse: 

“Como não lembrar o exemplo de S. João de Brito, jovem lisboeta que, deixando a vida fácil da corte, partiu para a Índia, a anunciar o Evangelho da salvação aos mais pobres e desprotegidos, identificando-se com eles e selando a sua fidelidade a Cristo e aos irmãos com o testemunho do martírio? ”

— Papa João Paulo II

 

 

 

  

 

https://oslusiadas.org/i/3.html

O poema termina numa citação de Os Lusíadas (Canto I)

 

Canto I

 

Cessem do sábio Grego e do Troiano

As navegações grandes que fizeram;

Cale-se de Alexandro e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre Lusitano,

A quem Neptuno e Marte obedeceram:

Cesse tudo o que a Musa antígua canta,

Que outro valor mais alto se alevanta.

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Neptuno_(mitologia)

Neptuno (português europeu) ou Netuno (português brasileiro) é o deus romano do mar, inspirado no deus grego Posídon (ou Poseidon).

 

 

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